Correio da Manhã
Hepatites virais

Campinas acende alerta para hepatites B e C no Julho Amarelo

Cidade reforça vacinação, testes e prevenção após queda da hepatite A e oscilações nos casos de B e C

Atualizado em 13 de julho de 2026 - 10:18

Campinas acende alerta para hepatites B e C no Julho Amarelo
A prevenção reúne medidas como a vacinação contra as hepatites A e B, a realização de exames preventivos e, quando necessário, o tratamento Crédito: Rogério Capela/PMC

Os casos de hepatite A caíram pela metade em Campinas entre 2023 e 2025, mas as oscilações nas notificações de hepatites B e C ligaram o alerta da Secretaria Municipal de Saúde neste Julho Amarelo, campanha nacional dedicada à conscientização, prevenção e controle das hepatites virais.

Segundo a pasta, essas infecções costumam ser silenciosas e podem evoluir sem sintomas aparentes, o que aumenta o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. Por isso, a orientação é reforçar a prevenção, fazer exames quando necessário e buscar tratamento o quanto antes.

Cenário das hepatites em Campinas

No recorte mais recente, a hepatite A passou de 126 casos em 2023 para 62 em 2025, com apenas quatro registros parciais neste ano. Já a hepatite B caiu de 69 casos em 2023 para 63 em 2024, mas subiu para 86 em 2025. A hepatite C também recuou de 166 para 110 entre 2023 e 2024, mas voltou a crescer, chegando a 151 em 2025.

Para a Secretaria de Saúde, os números mostram que a prevenção precisa ser permanente. “Como muitas dessas infecções são silenciosas, o exame é o caminho para o diagnóstico”, destacou o coordenador do Programa Municipal de IST, HIV/Aids e Hepatites Virais, Josué Lima.

Vacinação e exames disponíveis na rede

As vacinas contra as hepatites A e B fazem parte do Programa Nacional de Imunizações e estão disponíveis durante todo o ano em todos os centros de saúde de Campinas. A orientação da prefeitura é que famílias mantenham a caderneta vacinal atualizada e verifiquem se todas as doses estão completas.

A vacina contra hepatite A é aplicada em dose única aos 15 meses de idade, e também é indicada para pessoas a partir de 15 anos em uso de PrEP ao HIV. Já a vacina contra hepatite B é aplicada ao nascer, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, e o esquema pode ser complementado pela pentavalente e por três doses em crianças maiores, adolescentes e adultos não vacinados.

Além das vacinas, testes rápidos para hepatite B e C estão disponíveis nos centros de saúde desde 2015. Quando o diagnóstico é confirmado, o paciente é encaminhado ao Centro de Referência em IST, HIV/Aids e Hepatites Virais para acompanhamento. No caso da hepatite A, a confirmação ocorre por exame laboratorial e o monitoramento é feito na própria unidade básica até a alta.

Como cada hepatite é transmitida

As hepatites A, B e C têm formas de transmissão diferentes. A hepatite A é geralmente associada a condições de saneamento, higiene, água e alimentos contaminados, além de relações sexuais desprotegidas com contato boca-ânus. Já a hepatite B é transmitida por sangue e fluidos corporais, principalmente em relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas e da mãe para o bebê no parto quando não há prevenção.

A hepatite C também pode se tornar crônica e é conhecida como infecção silenciosa. Sua transmissão ocorre principalmente pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de seringas e agulhas, materiais não esterilizados para tatuagem, piercing e procedimentos estéticos, além de objetos como alicates e lâminas.