Correio da Manhã
Viracopos

Projeto de batizar Viracopos com nome do comandante Rolim é uma afronta à Azul

Foi veto da TAM que impediu a concorrente de voar no Santos Dumont que fez Campinas crescer

Atualizado em 12 de julho de 2026 - 22:58

Projeto de batizar Viracopos com nome do comandante Rolim é uma afronta à Azul
Celso Russomano(Republicanos/SP) é autor do Projeto de Lei Crédito: Divulgação/Câmara dos Deputados

Um projeto de lei de autoria do deputado federal Celso Russomanno (Republicanos-SP) propõe alterar o nome do Aeroporto Internacional de Viracopos para Aeroporto Internacional de Campinas/Viracopos - Comandante Rolim Amaro para homenagear o comandante.

A escolha de Viracopos está relacionada à trajetória da TAM Linhas Aéreas. O projeto traz um erro crasso. Ao contrário do que diz a proposta de Russomanno, afirmando que a companhia ampliou a atuação internacional a partir de 1998, utilizando o terminal campineiro como base para voos de longa distância com aeronaves de grande porte. A TAM começou na rota internacional operando em Guarulhos, foi a TAP e depois a Azul conectando o interior de São Paulo a destinos no exterior.

A ironia da proposta é que ela não revela a verdadeira influência do Comandante Rolim sobre Viracopos. Na verdade foi um efeito colateral. A recém-chegada Azul, planejava ser a empresa do Aeroporto Santos Dumont, só que a TAM, com a atuação do seu então vice-presidente Paulo Castelo Branco, fez um forte lobby junto ao então governador Sérgio Cabral e às autoridades aeronáuticas e vetou. Só lhe restou a opção de Campinas.

Ninguém imaginava que seria um sucesso e Viracopos passaria a ser o aeroporto que ligaria o interior de São Paulo a todo o Brasil e ao mundo. A companhia aérea fundada por Rolim e hoje rebatizada de LATAM só opera uma única rota diária, de Campinas para Brasília, com três frequências por dia. O objetivo de Amaro não era desenvolver Viracopos, mas impedir a Azul de operar no Santos Dumont.

São dois aeroportos do estado de São Paulo que mereceriam receber o nome do Comandante Rolim Amaro. O de Congonhas, hoje rebatizado de Deputado Freitas Nobre, que disputou com o próprio fundador da TAM a troca de nome. Só que a então companhia teve dois graves acidentes fatais em Congonhas, o que fez a ideia ser abortada.

O Fokker 100, trazido pela TAM, chegou a ser batizado de Jato de Congonhas. O outro é o de Ribeirão Preto, que concentrou um grande número de operações da companhia, que o utilizava para poder voar para outras capitais, ainda como empresa regional, mas o aeródromo é batizado com o nome Dr. Leite Lopes, um médico que foi atuante na cidade.

Propor o nome de Rolim para Viracopos chega a ser uma afronta à Azul de David Neeleman, que transformou o veto da TAM em um case de sucesso. O que seria um fiasco, virou um presente para a nova empresa.