A morte da protetora de animais Maria Aparecida Martinelli Cezar, de 57 anos, mobilizou familiares, amigos e ativistas neste sábado (11), durante o velório e o sepultamento da vítima, em Campinas.
Maria Aparecida foi morta a facadas na tarde de quinta-feira (9), em um apartamento no bairro Cambuí, em Campinas. Vice-presidente da ONG de proteção animal Anjos de Patas, ela era conhecida pelo trabalho voluntário em defesa dos animais e foi lembrada por amigos e familiares como uma pessoa dedicada à causa.
De acordo com a Polícia Civil, após o crime o suspeito entrou em contato com o marido da vítima para informar o que havia acontecido e, na sequência, apresentou-se no 1º Distrito Policial de Campinas. Ele foi preso em flagrante por homicídio qualificado.
A faca utilizada no crime e os celulares da vítima e do investigado foram apreendidos e encaminhados para perícia. O caso segue sob investigação para esclarecer a dinâmica dos fatos.
Segundo apuração da EPTV, Maria Aparecida teria sido morta por um amigo da família durante a cobrança de uma dívida que ele mantinha com a vítima. Em depoimento à Polícia Civil, o investigado alegou que foi atacado por Maria Aparecida com uma faca e que reagiu utilizando outra faca, após sofrer um ferimento no braço. Essa versão é contestada por familiares, amigos e representantes da causa animal, que defendem que o caso seja tratado como feminicídio.
Vereadora
No velório, a vereadora Débora Palermo (PL) cobrou que o homem investigado pelo crime permaneça preso e defendeu que o caso seja tratado como feminicídio, rebatendo a versão apresentada pela defesa do suspeito, que alega legítima defesa.
"Estamos aqui reunidas para pedir que a Justiça tome providências, porque não é admissível uma pessoa levar 10 facadas e isso ser tratado como legítima defesa. Não adianta falar em diminuir o feminicídio enquanto assassinos de mulheres saem pela porta da frente das delegacias e das audiências de custódia", afirmou a parlamentar após o sepultamento. "Ela não era simplesmente uma vice-presidente que ficava sentada olhando os animais. A Maria Aparecida botava a mão na massa", disse Gabriela Souza, amiga da vítima e presidente da associação.
Presidente da ONG
Em publicação nas redes sociais, a presidente da ONG Anjos de Patas, Gabriela Souza, lamentou a morte da vice-presidente da entidade e destacou a dedicação de Maria Aparecida à causa animal. Ela descreveu a amiga como uma "guerreira" e uma protetora incansável, que dedicou parte da vida ao resgate e cuidado de animais abandonados.
A dirigente também cobrou Justiça pelo crime. Segundo ela, a ONG não aceitará que a morte de Maria Aparecida seja esquecida e afirmou que seguirá honrando o legado deixado pela protetora na defesa dos animais.
Segundo pessoas próximas, Maria Aparecida participava ativamente de resgates, acolhimento e cuidados com animais em situação de abandono, tornando-se uma referência entre os protetores independentes de Campinas. Maria Aparecida deixou marido, filho de 34 anos e a mãe.
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