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PINGA-FOGO

Pressupor demolir Adolfo Lutz é um atentado à ciência brasileira e à memória paulista

Pressupor demolir Adolfo Lutz é um atentado à ciência brasileira e à memória paulista
Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernanda Souto (PSol) Crédito: Agência Brasil/ Câmara Municipal de Campinas

A cogitação por parte do governador Tarcísio de Freitas (Republicação-SP) de demolir o Instituto Adolfo Lutz para erguer um hospital digital é um despropósito. A modernização médica é louvável, mas não pode ocorrer à custa da destruição de um edifício centenário - um marco histórico que preserva a identidade paulista.

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Além da questão arquitetônica em si, o prédio abriga um acervo insubstituível de amostras biológicas cujo transporte poria em risco décadas de pesquisas fundamentais e contínuas, que são vitais para a segurança da saúde pública não só de São Paulo, mas de todo o país. A ciência não se apaga em nome do progresso imediato.

Ratio Quebrada

Tarcísio argumenta que a localização não está definida e que foi uma ideia preliminar. Contudo, há devaneios que, por sua flagrante insensatez, jamais deveriam vir a público. Ideias absurdas revelam falta de planejamento institucional e agridem a integridade cultural de uma sociedade, sobretudo vindas de forasteiros.

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Imagine-se, por exemplo, a reação dos fluminenses se as autoridades locais cogitassem demolir o Cristo Redentor sob o pretexto de erguer no espaço um outro monumento. A hipótese geraria escândalo global. O patrimônio histórico não pode ser tratado como um espaço vazio ou obsoleto para novas construções.

Memoria Futuri

Neste sentido, destaca-se a iniciativa da vereadora de Campinas Fernanda Souto (PSol), que é médica e autora de moção de repúdio que condena as intenções do Executivo Estadual. A parlamentar age corretamente em defesa da ciência. Já ao governador, carioca, cabe demonstrar mais respeito a São Paulo. Afinal, Tarcísio pode até habitar o palácio, mas não é e nunca será bandeirante. 

Utilitas Perpetua

A preservação do Instituto Adolfo Lutz assegura que a modernidade não destrua as bases do conhecimento científico nacional. O avanço tecnológico deve caminhar lado a lado com a proteção da memória pública. Proteger esse patrimônio secular significa resguardar a própria soberania da saúde no país e demostrar respeito às tradições - obrigação de farda, prezados senhores.