Violência contra protesto pacífico do MBL compromete Unicamp
05 de julho de 202618:52Por Raquel Valli
Ex-ministro na Universidade Estadual de CampinasCrédito: @fernandohaddad
A manifestação do livre pensamento e o dissenso pacífico são pilares inalienáveis sobre os quais se ergue o verdadeiro ambiente acadêmico. Sob essa premissa, revela-se profundamente lamentável o episódio da aula magna do ex-ministro Fernando Haddad (PT) na Universidade Estadual de Campinas. É inadmissível que um indivíduo, ao exercer o direito de protestar contra o que compreendia ser um ato de campanha eleitoral antecipada, tenha sido alvo de agressão física, que o derrubou no chão.
A Unicamp, na condição de autarquia mantida pelo poder público, caracteriza-se legal e conceitualmente como um espaço de livre acesso e trânsito, vocacionada por excelência ao debate democrático plural, o qual pressupõe, obrigatoriamente, a garantia da liberdade de expressão e a coexistência de visões antagônicas na academia.
"Ensaio sobre a cegueira"
Todavia, constata-se que, de forma progressiva, as universidades públicas brasileiras se distanciaram dessa conduta institucional regulamentar, transmutando-se em polos de propagação ideológica unilateral, onde a divergência intelectual não apenas carece de escuta ativa, mas frequentemente é palco para hostilidade e violência. Entretanto, o aspecto mais trágico reside na assimetria entre o discurso vazio da reitoria e a realidade da Unicamp.
"As Ilusões Perdidas"
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu ZemaCrédito: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil
Pergunta: caso Romeu Zema (Novo) ministrasse uma aula magna na Unicamp, qual seria a receptividade da academia? Oras, se um ex-ministro é facultado a fazê-lo, por que um ex-governador de Direita, graduado pela FGV, também não deveria? No CV? Segundo o Governo de Minas, o Estado passou de um déficit de R$ 11,2 bi em 2018 para um superávit de R$ 5,2 bi em 2024, alcançando quatro anos consecutivos de equilíbrio fiscal. Não seria no mínimo interessante escutá-lo?
"A Revolução dos Bichos"
Adicionalmente, identifica-se na Unicamp uma contradição vexatória, com militantes rotulando opositores, como os do MBL, de fascistas, mas idolatrando a CLT. Só que a estrutura corporativista, promulgada em 1943 por Getúlio Vargas, foi reproduzida da 'Carta del Lavoro' de Mussolini, expondo que o local voltado ao conhecimento exala ignorância. Francamente, senhores...
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