Correio da Manhã
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PINGA‑FOGO

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KASSAB ENTRA NA CHAPA DE CAIADO COMO VICE E EMBARALHA A CORRIDA PRESIDENCIAL, QUE ESTÁ POLARIZADA - Anotem: este primeiro de julho entra para a história da política brasileira. O evento que oficializa a candidatura de Gilberto Kassab como candidato a vice-presidente da República na chapa puro sangue do PSD, encabeçada por Ronaldo Caiado, mexe no tabuleiro sucessório presidencial.

A data passa a ser o marco zero da campanha da chapa Caiado/Kassab, que ganha uma consistência eleitoral única. Kassab traz a força do partido em São Paulo e, de quebra, coloca o Rio, que tem como candidato principal ao estado um quadro do PSD, partido que já controla a prefeitura da capital fluminense.

A densidade política de Gilberto Kassab e as posições à direita de Ronaldo Caiado criam um fato novo. Em 2018, neste mesmo período, quase ninguém apostava na viabilidade eleitoral de Jair Bolsonaro, tratado por parte da mídia e da classe política como uma candidatura secundária. Só que, neste caso, o cenário tem ingredientes novos e robustos: Caiado é um ex-governador bem avaliado, com experiência administrativa e com êxito na pauta da segurança. Já Kassab traz uma bagagem partidária e a capilaridade de uma legenda consolidada no maior colégio eleitoral do país: o estado de São Paulo. Além disso, o PSD também se tornou a opção de políticos de força eleitoral regional, como José Arruda no Distrito Federal, Ratinho Jr no Paraná, Eduardo Leite no Rio Grande do Sul e Eduardo Paes no Rio. É uma verdadeira tsunami de votos que pega Flávio Bolsonaro e Lula em uma praia bipolarizada.

Os desgastes do Master e Credcesta pegam de frente as duas candidaturas: tanto a da direita, com Flávio, como a da esquerda, com Lula, abrindo uma avenida para uma terceira via.

Gilberto Kassab, ao aceitar concorrer à vice-presidência, deu um susto no PT e no PL, que não acreditavam no aval pessoal do presidente do partido de Caiado à corrida presidencial. Agora, provou que a candidatura é para valer: com competitividade e fundo partidário.

Um cenário novo, que força um segundo turno e com uma disposição de briga. Os adversários de Caiado/Kassab têm gigantescos telhados de vidro. Uma vez, questionado em almoço com jornalistas, sobre como seria a campanha eleitoral junto ao eleitorado de direita e conservador para presidente, Gilberto Kassab não mediu palavras: "Vamos mostrar, do nosso lado, um governador que saiu aplaudido depois de duas gestões e com avanços em várias áreas e, do outro lado, a gestão de uma loja franquia de chocolates". Já dá para sentir o tom do que vem por aí.

RECESSO DO STF MANTÉM ATUAL QUADRO DE GOVERNANÇA DO RIO - O ministro Flávio Dino, como previsto, devolveu o processo que tem reflexo na sucessão do Rio, nas vésperas do recesso do Supremo Tribunal Federal. Só em agosto o presidente Edson Fachin poderá escolher uma data para votação, isto é, se nenhum outro ministro, especialmente Gilmar Mendes, pedir vista. No Palácio Guanabara, não haverá alterações até o julgamento paralisado com o placar de 4 a 1. Não votar, na justiça, as vezes é votar. Se houver eleição indireta no Rio para governador, só depois das diretas, pelo andar da carruagem.