Comissão de GMs de Campinas avalia caixa da prefeitura para fundamentar reajuste
A comissão independente formada por guardas municipais de Campinas informou que tentará averiguar a questão fiscal da prefeitura para ver se a reivindicação salarial da classe é possível. O encontro na tarde de quinta-feira (24) teve a participação do deputado federal Eliel Miranda (PSD), que orientou o grupo sobre estratégias para as próximas etapas das demandas da categoria.
O parlamentar destacou a importância do uso de informações oficiais, além do levantamento de dados concretos sobre o impacto financeiro aos cofres municipais. Explicou ser fundamental calcular o custo percentual da valorização solicitada em relação à folha de pagamento e ao limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de até 51%.
“Se for só vontade política é muito mais fácil para resolver. Se é uma questão orçamentária é mais complexa. Mas, a gente percebe que Campinas o problema não é orçamentário nem financeiro é uma questão de ajuste dentro da vontade política daquilo que se pode fazer”, afirma o deputado.
A estratégia da comissão prevê diálogo com o prefeito Dário Saadi (Republicanos) e o vice-prefeito Wanderley de Almeida, o Wandão (PSB), mas reforça a necessidade de manter os servidores mobilizados para realizar novas manifestações, caso não ocorram avanços.
"Tenho a absoluta convicção que o diálogo tanto com o prefeito, como com o vice, é muito importante, porque eles também estão desejosos de resolver (o impasse). Mas, não podemos desmobilizar, porque se precisarmos de qualquer outro tipo de manifestação novamente, ela terá que ser feita, porque nós precisamos ser ouvidos”, declara.
A relevância da união e da presença física dos guardas foi enfatizada com base nos exemplos de cidades como Paulínia, São Bernardo do Campo e Guarulhos, locais onde a participação massiva do funcionalismo fortaleceu os movimentos.
Politicamente, a orientação de Miranda é buscar o apoio de todos os vereadores, englobando tanto os da base governista quanto os da oposição, para evitar disputas ideológicas e partidárias, visto que a corporação atua em defesa de toda a sociedade.
“Precisamos de todos os vereadores. Mas, a gente não pode transformar isso em algo ideológico, até porque a Guarda trabalha para todos, e a gente não pode cair nessa de quem gosta, de quem desgosta, de ideologia de um e de ideologia de outro. Eles estão lá para nos representar e para falar por nós”,, acrescenta.
Panorama atual
Em paralelo, há relatos de guardas sobre o corte de horas extras, informação que ainda não foi confirmada pela prefeitura. Já os próximos passos da comissão independente incluem aguardar até sexta-feira (26) uma resposta do Executivo para uma reunião, prevendo novas reivindicações presenciais caso o encontro não aconteça.
A informação da prefeitura é de que o Sindicato aos Servidores Municipais de Campinas (STMC) “tentou reabrir a negociação com a Secretaria Municipal de Segurança, mas optou por seguir pela manifestação e interrompeu as tratativas que estavam em andamento”. O jornal também procurou o STMC e aguarda o posicionamento da entidade, caso deseje manifestar-se.