Cerca de 1 mil pacientes aguardam por cirurgias eletivas ortopédicas no Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas (SP). A fila para procedimentos na unidade, que é a principal referência do Sistema Único de Saúde (SUS) na região, pode chegar a cinco anos de espera.
A situação crítica do hospital reflete um problema crônico enfrentado em toda a rede pública da cidade, o que levou o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) a ingressar na Justiça com uma ação civil pública. O órgão pede medidas urgentes para reduzir a fila de cirurgias ortopédicas no SUS em Campinas, que hoje conta com 4.622 pacientes e registra esperas de até 12 anos, com pessoas aguardando pelo procedimento desde 2014.
Na ação, o promotor Daniel Zulian solicita que o município e o Estado apresentem, em até 45 dias, um plano emergencial conjunto para reorganizar o atendimento, ampliar a oferta de procedimentos e estabelecer um cronograma de redução da demanda reprimida. O pedido de liminar também prevê a criação de um prazo máximo de até 20 meses para novos pacientes na fila, além da implantação de um sistema de transparência com atualização periódica dos dados e envio de relatórios trimestrais sobre a evolução dos atendimentos. Segundo o MPSP, o processo foi motivado pelo avanço acelerado da demanda na cidade: a fila de espera saltou de 3.629 pacientes, em setembro de 2023, até atingir o patamar atual em abril de 2026.
Diante do cenário na unidade de referência, a superintendência do HC da Unicamp esclareceu que o andamento das cirurgias eletivas sofre um forte impacto diário em virtude das urgências e emergências que chegam através da Unidade de Emergência Referenciada (UER). Como os casos graves precisam ser priorizados, o cronograma rotineiro é afetado. O hospital ressaltou que as listas atualmente são descentralizadas e que atua junto à Diretoria Regional de Saúde (DRS-7) para identificá-las e unificá-las. A instituição também aposta no fortalecimento dos procedimentos por meio da Tabela SUS Paulista, programa estadual que complementa os repasses federais.
Por sua vez, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas e a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informaram que têm atuado de forma contínua para ampliar a capacidade assistencial e reduzir as filas históricas. De acordo com o Estado, a região de abrangência do DRS de Campinas registrou 115 mil cirurgias eletivas realizadas no último ano, dentro de uma estratégia que levou São Paulo ao recorde de 3,5 milhões de procedimentos nos três primeiros anos da atual gestão.
O governo estadual defende que esse avanço é resultado do fortalecimento da Tabela SUS Paulista, que permite que hospitais filantrópicos recebam até cinco vezes mais pelos procedimentos realizados. A iniciativa impulsionou a reativação e abertura de mais de 650 leitos na região ao longo dos últimos três anos, ampliando a retaguarda hospitalar. Até março deste ano, mais de R$ 768,5 milhões foram destinados a 104 unidades filantrópicas da região de Campinas.
Além disso, o Estado destacou investimentos estruturantes de longo prazo para a região. Em Campinas, já foi publicado o edital de licitação para a construção do novo Hospital Estadual (primeiramente chamado de Hospital Metropolitano), com investimento estimado em mais de R$ 550 milhões e 400 leitos previstos. Também foram destinados cerca de R$ 45 milhões ao Hospital e Maternidade de Várzea Paulista para aquisição de equipamentos e mobiliário, com inauguração prevista para os próximos dias. Em Santa Bárbara d'Oeste, o governo inaugurou o complexo Cidade Saúde, um equipamento municipal para ampliar exames e procedimentos especializados para moradores de 19 municípios da Região Metropolitana de Campinas. Outra medida em andamento é o credenciamento da Casa de Saúde, Hospital São Leopoldo Mandic, cujas tratativas finais de contratação estão sendo feitas para iniciar os atendimentos ao SUS.
Por fim, a Secretaria de Estado da Saúde ressaltou que a organização das filas, a gestão dos serviços próprios e a definição da oferta local cabem legalmente ao município. A pasta reforçou que a porta de entrada do SUS é a atenção básica, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) administradas pelas prefeituras, que devem fazer o acompanhamento local do paciente, inclusive em casos de suspeita de escoliose, e encaminhá-lo aos serviços especializados do Estado quando necessário. Atualmente, o Estado também trabalha para identificar e unificar as filas de espera que hoje estão descentralizadas.
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