Correio da Manhã
Campinas

Parlamentares denunciam Flávio Bolsonaro à PGR por reuniões nos EUA

Parlamentares denunciam Flávio Bolsonaro à PGR por reuniões nos EUA
Flávio Bolsonaro se reuniu com Trump em maio para debater classificação de facções criminosas brasileiras como terroristas Crédito: Repodução/Redes sociais

A vereadora Mariana Conti, de Campinas, e a deputada federal Sâmia de Souza Bomfim, ambas do PSol, protocolaram neste sábado (27) uma petição à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a apuração individualizada de condutas e a preservação imediata de provas do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, e do irmão dele, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro - ambos do PL.

A denúncia baseia-se em informações "de amplo conhecimento público extraídas de matérias jornalísticas e registros oficiais" que apontam a realização de reuniões reservadas no mês passado, em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, abordando assuntos de natureza sensível para o Estado brasileiro. 

Fundamentam a necessidade de atuação do Ministério Público Federal na verificação de possível relevância jurídico-penal com base no artigo 359-K do Código Penal, que pune a entrega não autorizada de documentos ou dados classificados como secretos ou ultrassecretos a governos estrangeiros que possam colocar em perigo a soberania nacional ou a ordem constitucional.

Referem-se, mais especificamente, aos assuntos tratados, entre os quais: criminalidade organizada, terras raras, minerais críticos, comércio digital, tarifas alfandegárias e sistemas de pagamento eletrônico. 

Em 28 de maio, o Departamento de Estado norte-americano designou formalmente as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Já em 2 de junho, Flávio Bolsonaro enviou o Ofício Externo número 008/2026-GSFB a Marco Rubio, em papel timbrado do Senado Federal, agradecendo a designação das facções, manifestando preocupações sobre investigações tarifárias contra o Brasil e oferecendo antecipadamente uma equipe de transição ao governo estrangeiro para futuros acordos comerciais, caso vença a eleição presidencial de outubro ao Palácio do Planalto.

Em resposta datada de 23 de junho de 2026, o secretário de Estado americano confirmou o recebimento, agradeceu o apoio do senador e projetou a continuidade do diálogo bilateral.

Já as parlamentares, apontam a existência de uma lacuna sobre o teor integral das conversas, na justificativa sobre o pedido de investigação. Além disso, mencionam o contexto da condenação prévia de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, ressaltando que a nova apuração deve distinguir os fatos anteriores das condutas novas e autônomas.

Ao final, a petição elenca 12 pedidos formais direcionados à PGR. Entre as providências urgentes estão a coleta e preservação cautelar de metadados, e-mails, mensagens eletrônicas e relatórios das tratativas; o envio de ofício ao Senado Federal para detalhar o uso de recursos públicos ou assessores na viagem; e a oitiva de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo.

Requer ainda a consulta a ministérios e órgãos estratégicos do governo brasileiro, como o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), bem como o acionamento de mecanismos de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para obter os registros oficiais dos encontros.

O Correio da Manhã entrou em contato com os Bolsonaros e aguarda o posicionamento, caso desejem manifestar-se.