Correio da Manhã
COLUNA POLÍTICA | PINGA-FOGO

Descompasso na Câmara de Campinas expõe crise de representatividade

Descompasso na Câmara de Campinas expõe crise de representatividade
Vereador Higor Diego (Republicanos-SP) propôs Baile da Pessoa Idosa no calendário oficial do município Crédito: Divulgação CMC

A atuação parlamentar na Câmara de Campinas tem flertado perigosamente com a irrelevância legislativa, demonstrando um descompasso alarmante entre as prioridades dos vereadores e as demandas reais da população, transformando o espaço de debates sérios em um circo.

 

Ignóbil

A propositura do vereador Higor Diego (Republicanos-SP), que visa incluir o Baile da Pessoa Idosa no calendário oficial da cidade, exemplifica essa tendência de esvaziamento das funções nobres do Legislativo, focando no meramente protocolar ou festivo, banalizando a importância da Casa de Leis.

 

Vexatório

Além desses projetos serem popularescos e eleitoreiros, em nada contribuem para a resolução dos problemas estruturais que sufocam a cidade. A saúde pública local, em especial a do Mário Gatti, encontra-se sob a mira do Ministério Público, evidenciando falhas crônicas de gestão e atendimento.

 

Doentes

Há relatos de munícipes que aguardam há mais de uma década por uma cirurgia na rede pública, sofrendo com dor e imobilidade. Mas, o que é a dignidade humana face às superficialidades dos atuais projetos de lei? Parte dos eleitos carece de conhecimento sobre as verdadeiras competências do Legislativo.

 

Histórico de futilidades

O episódio não é fato isolado. Permínio Monteiro (PSB-SP) já havia trilhado caminho semelhante ao propor homenagens formais a um botequim local, demonstrando que a falta de critério na escolha do que merece relevância institucional é um vício antigo na Casa.

 

Varre, vassourinha

É urgente a reflexão sobre a postura que deve nortear o ambiente parlamentar. A Câmara não pode ser tratada como um picadeiro de vaidades ou um espaço para a busca de simpatia fácil por meio de propostas inócuas, a fim de gerar votos de analfabetos políticos. É preciso, senhores, rejeitar o populismo.