Correio da Manhã
Campinas

Profissionais da educação convocam novo ato em frente à Prefeitura de Campinas

Mobilização agendada para as 17h30 contesta adoção de plataformas digitais privadas e cobra autonomia para escolas; governo municipal defende diálogo e destaca reajuste recente

Profissionais da educação convocam novo ato em frente à Prefeitura de Campinas
Professores e profissionais da educação realizam manifestação em frente ao Paço Crédito: Rogério Capela/Prefeitura de Campinas

Professores e demais profissionais da rede municipal de ensino de Campinas realizam nesta terça-feira (23), às 17h30, uma manifestação em frente ao Paço Municipal. O protesto é organizado pelo Coletivo de Educadores da Rede Municipal e contesta mudanças pedagógicas e administrativas adotadas pela Secretaria Municipal de Educação.

O ato ocorre cerca de um mês após outra mobilização. Em 26 de maio, professores, gestores escolares e famílias realizaram uma manifestação e uma aula pública em frente à Prefeitura em protesto contra as diretrizes da Secretaria de Educação. Após a pressão, a administração municipal anunciou a retomada das discussões sobre a revisão das Diretrizes Curriculares Municipais, com participação paritária entre representantes do governo e da comunidade escolar.

A mobilização desta terça reunirá docentes, supervisores, pesquisadores, representantes de entidades da sociedade civil e vereadores da oposição ao prefeito Dário Saadi (Republicanos).

Segundo os organizadores, a principal insatisfação está relacionada às medidas adotadas pela secretaria comandada por Patrícia Adolfo Lutz. Entre as críticas estão a ampliação do uso de plataformas digitais privadas, a aplicação de avaliações externas consideradas punitivas e propostas de padronização curricular que, segundo os educadores, comprometem a autonomia das escolas.

O grupo também defende o fortalecimento da Avaliação Institucional Participativa (AIP), modelo baseado na construção coletiva de metas e diagnósticos com a participação da comunidade escolar. Além disso, reivindica melhorias nas condições de trabalho, especialmente nas escolas da periferia, suspensão de avaliações consideradas incompatíveis com a realidade da rede e avanços nas negociações sobre plano de carreira, recomposição salarial e previdência.

As reivindicações também repercutiram na Câmara Municipal. As vereadoras Guida Calixto (PT) e Fernanda Souto (PSOL) manifestaram apoio ao movimento e criticou a condução da política educacional da Prefeitura.

Apoio

A vereadora e pré-candidata a deputada estadual Guida Calixto (PT), que apoia a mobilização, afirmou que os educadores decidiram convocar o novo ato por considerarem que a atual gestão da Secretaria Municipal de Educação vem promovendo mudanças que descaracterizam o modelo de gestão democrática historicamente adotado pela rede municipal de Campinas. Segundo ela, desde que Patrícia Adolfo Lutz assumiu a pasta, o objetivo tem sido alterar a estrutura do sistema municipal de ensino para implementar um modelo semelhante ao adotado pelo governo estadual.

Na avaliação da parlamentar, a ampliação do uso de plataformas digitais privadas enfraquece o papel do professor e reproduz a política educacional do governador Tarcísio de Freitas e do secretário estadual Renato Feder. Guida também afirmou que a forte mobilização dos profissionais da rede, composta majoritariamente por servidores concursados, demonstra a resistência da categoria às mudanças propostas pela administração municipal. "Não podemos permitir que um projeto importado do Estado desmonte a educação pública construída pelo município ao longo dos anos", declarou.

"A educação pública de Campinas está pedindo socorro. Em poucos meses, temos visto o aprofundamento do desmonte do ensino. A secretária de Educação, Patrícia Adolfo Lutz, a serviço do projeto de Dário Saadi, Tarcísio de Freitas e Feder, vem realizando ataques aos servidores e à qualidade do ensino. Nosso mandato apoia esta manifestação organizada pelo coletivo de educadores e pela comunidade escolar em defesa da educação pública e de qualidade", afirmou a parlamentar.

"A educação pública de Campinas está sob ataque. Enquanto professores, agentes de educação infantil, monitoras e equipes gestoras seguem cobrando valorização e melhores condições de trabalho, o prefeito Dário Saadi e a secretaria Patricia Adolf Lutz insistem em governar sem diálogo, atacando a gestão democrática da rede e autorizando compras e contratos milionários sem transparência. Ao mesmo tempo, continuam sem apresentar respostas para pautas fundamentais da categoria, como o enquadramento das agentes e monitoras na carreira do Magistério e a melhoria das condições das nossas escolas", afirmou Fernanda Souto (PSOL), que também é pré-candidata a deputada estadual.

Os organizadores informaram ainda que pretendem manter as mobilizações ao longo do segundo semestre, ampliando o diálogo com pais, estudantes e a comunidade para discutir os rumos da educação pública no município.

Posicionamento da Prefeitura

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que a atualização das Diretrizes Curriculares, em discussão desde 2025, conta com participação dos profissionais da rede e integra um conjunto de ações para melhorar os indicadores educacionais. A pasta informou ainda que ampliou os canais de diálogo com gestores e escolas e destacou ações como fila zerada em creches, entrega de uniformes e materiais escolares e alimentação com acompanhamento nutricional.

A Prefeitura também ressaltou o acordo firmado com o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Municipal (STMC), que prevê reajuste salarial de 4,39%, aumento de 7,5% no vale-alimentação e avanços no plano de cargos. Segundo a administração, as negociações com a categoria continuam e a inclusão de agentes e monitoras na carreira do magistério segue em análise técnica.