Correio da Manhã
Campinas

Com hospitais superlotados, Estado diz que 100 leitos do SUS estão nas "tratativas finais"

Com hospitais superlotados, Estado diz que 100 leitos do SUS estão nas "tratativas finais"
Hospital PUC-Campinas opera com 390% da capacidade Crédito: Hospital PUC-Campinas/Divulgação

Três meses após o Governo do Estado se comprometer a ampliar a oferta de leitos do SUS em Campinas, a medida entrou na fase final de contratação, mas as novas vagas ainda não começaram a atender os pacientes. Enquanto o Estado conclui as tratativas após a habilitação da Casa de Saúde São Leopoldo Mandic no início deste mês, os principais hospitais da cidade continuam operando acima da capacidade, nesta quinta-feira (18), o Pronto-Socorro da PUC-Campinas e a Unidade de Emergência do HC da Unicamp registravam 370% de ocupação.

O Raio-X da Superlotação nos Hospitais

O cenário enfrentado por pacientes nas principais unidades de urgência de Campinas permanece crítico. Na manhã desta quinta-feira, o Pronto-Socorro Adulto do Hospital PUC-Campinas operava com uma ocupação alarmante de 370% acima da capacidade instalada. O índice representa uma leve oscilação para baixo em relação ao dia anterior, quando a unidade atingiu o pico de 415% de ocupação, o maior registrado pelo hospital neste ano.

A crise se repete na Unidade de Emergência Referenciada do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp, que também apresentava taxa de ocupação de 370%. Nas alas de internação do HC, os leitos de enfermaria e de UTI registravam 100% de ocupação, com a assistência sendo viabilizada por meio de um intenso "giro diário" de pacientes. Na estrutura municipal, a Rede Mário Gatti trabalhava próxima do limite, com ocupação variando entre 95% e 100%, segundo a Prefeitura.

O Posicionamento do Estado e o Trâmite dos Leitos

Questionada sobre a demora na abertura das vagas, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informou, por meio de nota oficial, que já credenciou a Casa de Saúde – Hospital São Leopoldo Mandic para a prestação de serviços junto ao SUS. Com o credenciamento, a instituição está legalmente apta a integrar a rede regional de atendimento.

Segundo a pasta estadual, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas realiza atualmente as "tratativas finais" para a formalização da contratação dos serviços. O Estado reforça que esta etapa burocrática é estritamente necessária para o início das atividades assistenciais. A secretaria afirma que a iniciativa tem como objetivo ampliar a oferta de serviços de saúde, fortalecer a retaguarda assistencial para os municípios da região e ampliar o acesso aos atendimentos especializados.

O governo estadual lembrou ainda que o chamamento público para a contratação desses leitos foi anunciado durante a Caravana 3D, realizada na região em abril, juntamente com o anúncio do Hospital Estadual de Campinas, que atualmente encontra-se em fase de análise das propostas apresentadas pelas construtoras.

A Cobrança da Prefeitura e o Impacto Regional

Por outro lado, a Prefeitura de Campinas informou que o prefeito Dário Saadi voltou a solicitar agilidade ao governo estadual para garantir a ampliação da estrutura hospitalar no município. A administração municipal relembrou que a discussão ocorre desde março, quando o Estado se comprometeu a viabilizar até 100 novos leitos após reuniões entre o município e o secretário estadual, Eleuses Paiva. Como ação de longo prazo, a Prefeitura destacou que o futuro Hospital Metropolitano será construído pelo Estado em uma área doada pelo município, e que o edital para a obra foi lançado em abril.

Para mitigar a crise imediata, a Secretaria Municipal de Saúde informou que a Regulação Municipal acompanha diariamente a ocupação e mantém reuniões com os hospitais, o Samu e a Regulação Estadual para definir estratégias que reduzam a pressão nos serviços de urgência. Entre as medidas, a administração solicitou ao Estado a redução do encaminhamento de pacientes de outros municípios para Campinas.

De acordo com a Prefeitura, Campinas é referência regional e, historicamente, de 20% a 25% dos pacientes atendidos pelo SUS municipal são moradores de outras cidades. Nos leitos neonatais conveniados, esse percentual chega a 35%. A administração também atribui o aumento da demanda à queda das temperaturas com a proximidade do inverno, período que eleva os casos de doenças respiratórias, infartos e AVCs.

Por fim, o município ressaltou que expandiu sua própria rede, passando de 885 leitos em 2021 para mais de mil atualmente, mas defende que a abertura das 100 vagas prometidas pelo Estado na Casa de Saúde é fundamental para reduzir a sobrecarga recorrente.