Correio da Manhã
COLUNA POLÍTICA | PINGA-FOGO

Dário não se pronuncia sobre transporte e silêncio é notado politicamente

Dário não se pronuncia sobre transporte e silêncio é notado politicamente
Prefeito não tinha obrigação legal de ir à Câmara, mas ausência foi sentida como falta moral Crédito: Prefeitura Municipal de Campinas

A ausência do prefeito Dário Saadi (Republicanos-SP) foi sentida esta semana no Legislativo. Analistas políticos esperavam que o chefe do Executivo se apresentasse voluntariamente para dar explicações na audiência da Frente Parlamentar de Acompanhamento da Licitação do Transporte Público da Câmara.

 

Arroz de festa

Saadi não foi convocado, mas sendo homem midiático, conhecido popularmente como 'prefeito tiktoker' por divulgar extensivamente os feitos da prefeitura nas redes sociais, incluindo a instalação de novos semáforos de trânsito, deveria fazê-lo também em relação às polêmicas, sobretudo para eliminá-las, não deixando vestígios de dúvidas sobre elas. E afinal, por que não expressar-se agora, deixando a questão só ao secretário de transporte Fernando de Caires e o presidente da Emdec Vinicius Riverete?

 

Accountability

"Ainda que o chefe do Executivo possua ampla base de apoio entre os vereadores, tal circunstância não afasta o dever de prestar contas e esclarecer os fatos perante o Legislativo e a sociedade", afirma o analista político José Afonso da Costa Bittencourt, economista e ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Campinas. 

 

Imperativo republicano

"Cumpre destacar que o prefeito encaminhou e obteve aprovação de legislação que prorrogou por mais 2 anos o vigente contrato com as empresas do transporte coletivo municipal, levantando dúvidas quanto à sua conveniência, oportunidade e motivação administrativa", complementa Bittencourt.

 

Devida transparência

"Diante desse cenário, é fundamental que o prefeito apresente informações detalhadas, justifique os atos praticados e esclareça todos os pontos que suscitam dúvidas e preocupações da população, em observância aos princípios da transparência, moralidade, eficiência e interesse público que regem a Administração Pública, diz o analista. 

 

Locus ideal

Em relação à Câmara, Bittencourt pontua ainda que "como legítima Casa do Povo e órgão responsável pela fiscalização dos atos do Poder Executivo, constitui o foro adequado para a discussão transparente e democrática do tema de relevante interesse público".