Um projeto de lei protocolado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) propõe a criação do cordão para a identificação de pessoas com Alzheimer para evitar desaparecidos e facilitar o contato com familiares em casos de desorientação. Propõe a confecção e distribuição gratuita pelo Estado de São Paulo.
o cordão permitirá que funcionários, agentes públicos ou qualquer cidadão possa prestar auxílio imediato, fazer encaminhamentos de urgência e de emergência, acionando os familiares, em casos dos pacientes estarem desorientados, com dificuldade de comunicação ou perda momentânea de referência espacial.
"Muitas famílias convivem diariamente com o medo de que um parente com Alzheimer se perca ou não consiga pedir ajuda. O cordão que estamos propondo, por meio de lei, reduz riscos e facilita reencontros", afirma o campineiro Rafa Zimbaldi, deputado estadual (União-Brasil) e autor do projeto.
Crescimento
A proposta surge em meio ao avanço das enfermidades neurodegenerativas. Estudo do Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME) estima que o número de cidadãos com demência no mundo chegará a 153 milhões até 2050. No Brasil, as ocorrências podem saltar de 1,8 milhão para 5,6 milhões no período. O Alzheimer é a forma mais comum de deterioração mental e declínio cognitivo, respondendo por cerca de 60% a 80% dos diagnósticos.
"Na prática, este cordão será uma forma mais rápida de reconhecimento de quem tenha Alzheimer, principalmente em locais de grande circulação, como terminais de transporte público, centros comerciais, supermercados, eventos e unidades de saúde", complementa o deputado.
Auxílio
Atualmente, de maneira improvisada, muitas famílias recorrem a pulseiras, crachás e identificações particulares, sem qualquer padronização ou reconhecimento oficial. A protetora de animais Marynes Silva, presidente do Abrigo Adorável Vira-Lata de Campinas, é uma delas.
"Minha mãe tem Alzheimer, e, além de todos os desafios que a doença nos impõe, temos receio ainda de 'perdê-la' quando temos que sair à rua, levando-a às consultas, por exemplo. É como uma criança, que precisamos vigilar 100% do tempo. Mas, mesmo assim, ficamos temerosos. Por isso, uma identificação padronizada seria de grande ajuda", afirma.
Rito
O projeto será analisado pelas Comissões Permanentes da Alesp, e, caso seja aprovado por elas, será levado à votação em Plenário. Aprovada pelos vereadores, será então encaminhada para sanção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
Menu