Correio da Manhã
Campinas

Com fim da paralisação de alunos e professores, estudantes avaliam greve na Unicamp como vitoriosa

Em nota, o DCE destacou que a forte mobilização foi o motor que forçou a reabertura das mesas de negociação com a reitoria, resultando em mais de 30 conquistas consideradas fundamentais

Com fim da paralisação de alunos e professores, estudantes avaliam greve na Unicamp como vitoriosa
Unicamp amplia compromissos e busca fim de paralisação Crédito: Antonio Scarpinetti/Unicamp

Com o fim da greve que mobilizou a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) por cerca de 25 dias, os estudantes avaliam o movimento como amplamente vitorioso. Em nota, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp destacou que a forte mobilização foi o motor que forçou a reabertura das mesas de negociação com a reitoria, resultando em mais de 30 conquistas consideradas fundamentais para o corpo discente. "Tivemos uma greve extremamente vitoriosa, que graças a mobilização dos estudantes conseguiu reabrir a mesa de negociação e conquistar pautas muito fundamentais para nosso corpo estudantil", diz a nota.

A decisão de encerrar a paralisação ocorreu na última quinta-feira (11), após assembleias gerais que consideraram que a maior parte das reivindicações foi atendida. Entre os principais avanços obtidos pelos estudantes estão:

Garantia de moradia estudantil para o campus de Limeira e transporte intercamp para Piracicaba; expansão dos serviços de acolhimento à violência sexual, combate ao racismo e atendimento psicológico e psiquiátrico; abertura do restaurante universitário (bandejão) aos domingos; início das obras do Paviartes (previsto para 20 de junho) e criação de Grupos de Trabalho (GTs) para resolver o abandono das obras do teatro laboratório e implementar a extensão comunitária.

A expectativa agora é que a decisão seja ratificada em assembleias locais para que ocorra a desocupação do prédio da Diretoria Geral de Administração (DGA), ocupado desde o dia 8 de junho.

Reitoria destaca complexidade e diversidade nas negociações

Do outro lado da mesa, a Reitoria também celebrou o encerramento das paralisações de alunos e docentes. O reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner, minimizou os atritos e classificou o movimento como parte legítima da vida universitária.

"Acho que isso faz parte da vida universitária, onde é natural que as pessoas se manifestem e defendam seus pontos de vista", afirmou o reitor, ponderando que as restrições orçamentárias impedem o atendimento de 100% das pautas, mas que o movimento "traz luz para que possamos avançar".

O encerramento da greve dos professores também foi selado na quinta-feira (11), após a aprovação da nova proposta de reajuste salarial de 3,92% definida pelo Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e o Fórum dos Seis.

Roberto Donato, diretor-executivo de Sustentabilidade da Unicamp e representante da Reitoria nas negociações, revelou que foram feitas seis reuniões em menos de um mês. Ele destacou o perfil mais complexo e diverso do movimento estudantil atual, que hoje conta com uma mesa de negociação composta por 23 pessoas representando mais de dez entidades e coletivos (como o movimento negro, trans e anticapacitista), além do tradicional Diretório Central dos Estudantes (DCE).

Sindicato segue em greve e denuncia corte de ponto

Apesar do recuo de professores e estudantes, as engrenagens da Unicamp ainda não voltaram totalmente à normalidade. Os trabalhadores representados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), decidiram manter a greve.

Na última sexta-feira, o sindicato teve uma primeira reunião de abertura de diálogo com representantes da reitoria (chefe de gabinete e equipe). Uma agenda oficial de negociações deve ser aberta nesta semana para discutir a pauta específica da categoria, entregue em maio, que prioriza o reajuste salarial e de benefícios.

Uma das principais frentes de embate será a questão financeira imediata dos grevistas. O STU denuncia que a reitoria orientou o corte de ponto eletrônico e de salários dos trabalhadores paralisados, medida que o sindicato classifica como punitiva. "Entendemos que isso é uma punição para os trabalhadores estarem na greve, uma forma de pressionar para que saiam do movimento", afirmou a representação do STU. Os estudantes também manifestaram apoio aos funcionários, posicionando-se contra qualquer retaliação por parte da reitoria.