O recente acordo entre a Prefeitura e o sindicato da categoria reajustará em 7,5% o vale-alimentação dos servidores da ativa, que passarão a receber R$ 2.150,12. O montante supera expressivamente a realidade econômica do país, representando um valor 14,71% acima do que o próprio salário mínimo, que é de R$ 1.874,36.
Ética pra quê?
A concessão de um benefício alimentício que ultrapasse o piso salarial nacional configura uma flagrante distorção ética. É inadmissível que um auxílio isolado tenha maior poder de compra do que a remuneração mínima do trabalhador. E não é porque o soldo do brasileiro é mínguo, que o vale-refeição do estatutário deva ser opulente.
No meu bolso, não
O projeto de lei com as propostas, que deveria ser denominado "Das Disparidades", será encaminhado à Câmara Municipal, enquanto as secretarias e o sindicato ainda continuarão os debates sobre benesses específicas, desafiando toda e qualquer equidade social. Mas, não deveriam ser os sindicalistas os primeiros a zelar por tal justiça?
Hipocrisia vermelha
Os representantes sindicais e os próprios servidores filiados precisam abandonar a hipócrisia observada neste processo. A categoria costuma discursar em favor da justiça social, mas protesta e aceita reajustes de benefícios que geram abismos em relação aos próprios pares brasileiros, incluindo os da iniciativa privada e os cidadãos de Campinas, a quem deveriam servir.
Da boca pra fora
Se houvesse coerência, deveriam recusar reajustes desproporcionais e concentrar os esforços na defesa do aumento do salário mínimo nacional. A verdadeira solidariedade com a classe trabalhadora exige a rejeição de privilégios e a aplicação prática da igualdade que tanto defendem publicamente.
Coerência reivindicatória
As entidades sindicais precisam demonstrar coerência entre a retórica igualitária e as ações práticas nas mesas de negociação. A busca por benefícios, como vales-refeição que superam o piso salarial do país, deslegitima qualquer discurso que visem verdadeira justiça social.