Correio da Manhã
Campinas

Unicamp divulga carta aberta após ocupação de prédio da diretoria por estudantes

Unicamp divulga carta aberta após ocupação de prédio da diretoria por estudantes
Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas Crédito: Antoninho Perri/Unicamp

A Reitoria da Unicamp divulgou uma carta aberta à comunidade universitária após estudantes em greve ocuparem, na noite de segunda-feira (8), o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), no campus de Barão Geraldo. No documento, a administração da universidade defende os avanços obtidos nas negociações com o movimento estudantil, lamenta a ocupação e reafirma a disposição para manter o diálogo.

Os estudantes estão em greve desde maio e decidiram ocupar a DGA após uma assembleia que rejeitou a proposta apresentada pela universidade. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), reivindicações consideradas centrais pelo movimento não foram contempladas e houve pressão para o encerramento da paralisação sem a formalização dos compromissos negociados.

Na carta, a Reitoria destaca os investimentos realizados pela universidade em políticas de permanência estudantil e afirma que a proposta apresentada aos alunos contempla medidas voltadas à assistência estudantil, saúde mental, acessibilidade, moradia e inclusão. Entre os pontos citados estão a criação de grupos de trabalho paritários para discutir bolsas e moradia estudantil, a contratação de novos profissionais de saúde mental e ações voltadas à acessibilidade e diversidade.

A administração da universidade também argumenta que a ocupação da DGA prejudica serviços considerados essenciais, como o processamento de salários, bolsas e auxílios estudantis, além de atividades relacionadas à área da saúde, contratos administrativos e funcionamento dos restaurantes universitários.

No documento, a Reitoria afirma reconhecer a legitimidade das demandas apresentadas pelos estudantes, mas avalia que a continuidade da greve e a ocupação ocorreram após a apresentação de uma proposta que consolidou compromissos e encaminhamentos negociados entre as partes. A universidade também tornou públicos os termos da proposta para que a comunidade acadêmica possa acompanhar os resultados das negociações.

Ao final da carta, a Reitoria reforça que continuará aberta ao diálogo e defende a preservação dos espaços institucionais de negociação como forma de avançar nas demandas da comunidade universitária.

Confira a proposta da Reitoria encaminhada em 3 de junho:

• Permanência estudantil: criação de GT paritário para discussão das bolsas de permanência, manutenção da Bolsa Auxílio Moradia para estudantes em estágio, ampliação dos espaços físicos da DEAPE e fortalecimento das políticas de apoio estudantil;

• Saúde mental e acolhimento: contratação de sete novos psicólogos para DEAPE e SAPPE, ampliação da equipe de Limeira e contratação de psicólogos e assistentes sociais para SAVS e SAER;

• Moradia e condições de permanência em Limeira: criação de GT paritário para viabilização da moradia estudantil, com perspectiva de investimento de até R$ 20 milhões, além de medidas voltadas ao transporte estudantil, acessibilidade, convivência e ampliação dos serviços de apoio;

• Acessibilidade, inclusão e diversidade: criação de comissões de acompanhamento, encaminhamentos relativos à acessibilidade no vestibular, políticas de permanência trans, melhorias na moradia estudantil e formação continuada de servidores;

• Participação e acompanhamento institucional: criação de grupos de trabalho e comissões paritárias voltadas ao acompanhamento das políticas de permanência, acessibilidade, segurança universitária, extensão, transparência das obras e demais temas debatidos durante as negociações;

• Garantias acadêmicas para o pós-greve: compromisso de não perseguição institucional aos participantes do movimento, reorganização acadêmica pelas instâncias competentes, preservação das condições de aprendizagem e adoção de medidas destinadas à adequada reposição das atividades.