A Reitoria da Unicamp divulgou uma carta aberta à comunidade universitária após estudantes em greve ocuparem, na noite de segunda-feira (8), o prédio da Diretoria Geral da Administração (DGA), no campus de Barão Geraldo. No documento, a administração da universidade defende os avanços obtidos nas negociações com o movimento estudantil, lamenta a ocupação e reafirma a disposição para manter o diálogo.
Os estudantes estão em greve desde maio e decidiram ocupar a DGA após uma assembleia que rejeitou a proposta apresentada pela universidade. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), reivindicações consideradas centrais pelo movimento não foram contempladas e houve pressão para o encerramento da paralisação sem a formalização dos compromissos negociados.
Na carta, a Reitoria destaca os investimentos realizados pela universidade em políticas de permanência estudantil e afirma que a proposta apresentada aos alunos contempla medidas voltadas à assistência estudantil, saúde mental, acessibilidade, moradia e inclusão. Entre os pontos citados estão a criação de grupos de trabalho paritários para discutir bolsas e moradia estudantil, a contratação de novos profissionais de saúde mental e ações voltadas à acessibilidade e diversidade.
A administração da universidade também argumenta que a ocupação da DGA prejudica serviços considerados essenciais, como o processamento de salários, bolsas e auxílios estudantis, além de atividades relacionadas à área da saúde, contratos administrativos e funcionamento dos restaurantes universitários.
No documento, a Reitoria afirma reconhecer a legitimidade das demandas apresentadas pelos estudantes, mas avalia que a continuidade da greve e a ocupação ocorreram após a apresentação de uma proposta que consolidou compromissos e encaminhamentos negociados entre as partes. A universidade também tornou públicos os termos da proposta para que a comunidade acadêmica possa acompanhar os resultados das negociações.
Ao final da carta, a Reitoria reforça que continuará aberta ao diálogo e defende a preservação dos espaços institucionais de negociação como forma de avançar nas demandas da comunidade universitária.
Confira a proposta da Reitoria encaminhada em 3 de junho:
• Permanência estudantil: criação de GT paritário para discussão das bolsas de permanência, manutenção da Bolsa Auxílio Moradia para estudantes em estágio, ampliação dos espaços físicos da DEAPE e fortalecimento das políticas de apoio estudantil;
• Saúde mental e acolhimento: contratação de sete novos psicólogos para DEAPE e SAPPE, ampliação da equipe de Limeira e contratação de psicólogos e assistentes sociais para SAVS e SAER;
• Moradia e condições de permanência em Limeira: criação de GT paritário para viabilização da moradia estudantil, com perspectiva de investimento de até R$ 20 milhões, além de medidas voltadas ao transporte estudantil, acessibilidade, convivência e ampliação dos serviços de apoio;
• Acessibilidade, inclusão e diversidade: criação de comissões de acompanhamento, encaminhamentos relativos à acessibilidade no vestibular, políticas de permanência trans, melhorias na moradia estudantil e formação continuada de servidores;
• Participação e acompanhamento institucional: criação de grupos de trabalho e comissões paritárias voltadas ao acompanhamento das políticas de permanência, acessibilidade, segurança universitária, extensão, transparência das obras e demais temas debatidos durante as negociações;
• Garantias acadêmicas para o pós-greve: compromisso de não perseguição institucional aos participantes do movimento, reorganização acadêmica pelas instâncias competentes, preservação das condições de aprendizagem e adoção de medidas destinadas à adequada reposição das atividades.
Menu