Correio da Manhã
Campinas

Investigador e ex‑estagiário são presos em Campinas por plano com PCC para matar promotor

Deflagrada pelo Gaeco nesta terça (9), a Operação Infiltrados investiga ex-chefe da DISE e advogado por vazamento de dados sigilosos e esquema de extorsão

Investigador e ex‑estagiário são presos em Campinas por plano com PCC para matar promotor
Operação é desdobramento de ação de 2025 Crédito: Governo do Estado de SP

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, prendeu na manhã desta terça-feira (9), um chefe de investigadores da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) da Polícia Civil de Campinas, um ex-policial civil e um ex-estagiário do Ministério Público, suspeitos de atuarem como infiltrados do Primeiro Comando da Capital (PCC), em Campinas (SP).

Os três foram presos temporariamente por suspeita de participação no plano para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco. O atentado foi descoberto e frustrado em 2025. Foram cumpridos três mandados de prisão temporária, dois em Campinas e um em Cardoso (SP), além de dez mandados de busca e apreensão nas duas cidades. 

Investigador da Dise e estagiário do MP, ambos de Campinas

Um dos presos o ex-chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, Maurício Aparecido de Oliveira. Hoje em dia ele trabalhava no 1º Distrito Policial de Campinas, responsável por flagrantes e atendimento da região do Centro.

Gabriel Lira de Jesus é o outro preso de Campinas. Hoje é bacharel em direito e na época dos crimes investigados, atuava como estagiário em uma promotoria criminal do Ministério Público em Campinas. Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e, então, direcionado esforços para extorquir dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações.

Entre os agentes públicos, estaria também um ex-policial civil, expulso da Polícia Civil anos atrás pela prática do crime de extorsão mediante sequestro. Também foram colhidos elementos que apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados com o uso de internet de um escritório de advocacia, segundo o MP.

Encontro com suspeito de planejar atentado

De acordo com o Ministério Público, uma semana antes da operação que impediu o atentado contra o promotor, um dos principais investigados pelo plano se reuniu com Maurício Aparecido de Oliveira, então chefe de investigadores da Dise de Campinas.

Vídeos apreendidos pelo Gaeco registraram o encontro entre os dois. A suspeita é que informações sigilosas relacionadas às investigações tenham sido repassadas ao integrante da facção criminosa.
Na época, Maurício atuava em duas investigações consideradas estratégicas: a que apurava a suposta trama para matar o promotor do Gaeco e outra relacionada a um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

Esquema de extorsão

Outro foco da investigação envolve um ex-estagiário do Ministério Público que atualmente atua como advogado. Segundo o MP, quando trabalhava em uma Promotoria Criminal de Campinas, ele teria acessado sistemas internos para identificar integrantes do PCC com elevado poder econômico.

A partir dessas informações, o investigado teria exigido dinheiro em troca de suposta proteção e favorecimento em procedimentos envolvendo membros da facção. O esquema contaria com o auxílio de um ex-policial civil, que já havia sido expulso da corporação por extorsão, e de um policial penal também investigado.

Desdobramento

A Operação Infiltrados é um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White. A ação desta terça-feira contou com apoio do 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) de Campinas, além das corregedorias das polícias Civil e Penal.

Segundo o Ministério Público, a investigação busca identificar novos focos de atuação do crime organizado, incluindo corrupção de agentes públicos, vazamento de informações sigilosas e extorsões praticadas em benefício de organizações criminosas.

 

Com informações da Agência Brasil