A reitoria da Universidade Estadual de Campinas apresentou nesta quarta-feira (3) um conjunto de compromissos voltados à permanência estudantil, moradia, mobilidade e inclusão, após semanas de negociação com representantes do movimento estudantil. A universidade considera que as medidas representam uma resposta institucional aos principais pontos da pauta de reivindicações e avalia que o cenário atual cria condições para a superação da greve que afeta os campi desde maio.
Em comunicado à comunidade universitária, a reitoria reafirmou o compromisso com o diálogo e destacou que os encaminhamentos foram construídos ao longo das negociações realizadas nas últimas semanas.
“A Unicamp reconhece a legitimidade da participação estudantil na construção da vida universitária e reafirma seu compromisso histórico com o diálogo, a escuta e a negociação como instrumentos fundamentais para o aperfeiçoamento permanente de suas políticas institucionais”, afirmou a instituição.
Entre as medidas anunciadas está a realização de investimentos em moradia estudantil nos campi de Campinas e Limeira. A universidade também informou que será criado um grupo de trabalho para discutir alternativas de habitação estudantil em Limeira, uma das principais demandas apresentadas pelos estudantes durante o movimento.
Na área de permanência estudantil, a reitoria se comprometeu a aprofundar as discussões relacionadas às bolsas e aos auxílios oferecidos aos alunos. O tema está entre as reivindicações centrais dos estudantes, que defendem o fortalecimento das políticas de apoio financeiro para garantir condições de permanência na universidade.
Outro eixo da proposta trata da mobilidade e da infraestrutura. Segundo a Unicamp, serão desenvolvidas ações para aprimorar o transporte estudantil e a circulação entre os diferentes campi da instituição. Também está prevista a ampliação de espaços destinados à convivência universitária, representação estudantil e atividades comunitárias, além da continuidade dos investimentos em acessibilidade e infraestrutura.
No campo do acolhimento e da inclusão, a universidade anunciou a ampliação das equipes de apoio psicossocial e o reforço das estruturas voltadas ao acolhimento de estudantes, ao enfrentamento de situações de violência e à promoção da diversidade. A proposta prevê ainda mecanismos de acompanhamento das políticas de inclusão, acessibilidade e permanência.
A reitoria também informou que serão criados grupos de trabalho para discutir o aperfeiçoamento de programas voltados ao acesso e à permanência estudantil, como o Programa de Formação Interdisciplinar Superior (ProFIS) e o Programa Formativo Intercultural para Ingressantes pelo Vestibular Indígena (ProFIIVI). Além disso, a universidade promete avançar nas discussões sobre representação estudantil e participação dos alunos no acompanhamento das políticas de permanência.
No comunicado, a administração da universidade afirmou que as propostas foram definidas após análise de viabilidade acadêmica, administrativa e orçamentária, com o objetivo de garantir que possam ser efetivamente implementadas e mantidas ao longo do tempo.
A reitoria também ressaltou os impactos acumulados da paralisação sobre estudantes, professores, servidores técnico-administrativos, atividades acadêmicas e serviços prestados à sociedade. Segundo a universidade, os compromissos anunciados constituem um conjunto consistente de medidas capazes de produzir melhorias concretas para a vida estudantil.
“Trata-se de um cenário relevante de construção coletiva, que oferece condições objetivas para a superação do atual impasse e para a retomada das atividades acadêmicas, preservando os avanços alcançados”, afirmou a instituição.
A greve estudantil teve início de forma escalonada em maio e ganhou adesão de cursos dos diferentes campi da universidade. O movimento reivindica melhorias nas políticas de permanência estudantil, ampliação das bolsas, aperfeiçoamento do transporte interno, fortalecimento dos serviços de saúde mental, ampliação de estruturas de acolhimento e outras medidas voltadas às condições de estudo e permanência dos alunos.
Estudantes
Apesar da avaliação positiva da universidade, o movimento estudantil ainda não definiu se encerrará a paralisação. Em publicação nas redes sociais após a rodada de negociações, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que a reunião resultou em "importantes avanços" para as pautas apresentadas durante a greve. Em publicação nas redes, a entidade afirmou que uma assembleia geral está prevista para a próxima semana, quando o movimento deverá avaliar os compromissos assumidos pela reitoria e definir os rumos da paralisação.
Segundo o DCE, os encaminhamentos obtidos são resultado da mobilização de estudantes, trabalhadores e docentes ao longo das últimas semanas. O movimento, porém, ressalta que continuará acompanhando a implementação das medidas discutidas com a reitoria.
"Foi uma reunião vitoriosa, fruto da mobilização e da pressão construída coletivamente por estudantes, trabalhadores e docentes. Mas a luta não termina aqui. Precisamos permanecer mobilizados para garantir que todos os encaminhamentos sejam efetivados e que nossas reivindicações saiam do papel", afirmou o DCE em publicação nas redes sociais.
Os estudantes devem discutir a proposta em assembleia nos próximos dias, quando decidirão os rumos da paralisação.
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