Correio da Manhã
COLUNA POLÍTICA | PINGA-FOGO

Mesmo com investigações do MP, Câmara de Campinas (SP) barra apuração de Edison Ribeiro

Decisão frustrou a expectativa de transparência e de resposta institucional diante das acusações

Mesmo com investigações do MP, Câmara de Campinas (SP) barra apuração de Edison Ribeiro
Ribeiro nega as acusações; respondeu ao Correio da Manhã por meio de advogado Crédito: Álvaro Jr./ Câmara Municipal de Campinas

A decisão da Câmara de rejeitar a abertura de Comissão Processante contra Edison Ribeiro (União-Brasil) contraria a transparência pública. O arquivamento do caso ocorre mesmo após o Ministério Público apresentar investigações estruturadas sobre o parlamentar. Já o plenário evitou a apuração por questões meramente politiqueiras.

Indícios ignorados

O material apurado pelos promotores de Justiça demandava uma análise detalhada por parte dos representantes eleitos. A votação que barrou a investigação demonstra a prevalência de acordos políticos sobre a obrigação fiscalizadora do Legislativo: erro crasso e lamentável para a cidade.

Condizentes

No contexto dessa votação, três vereadoras mantiveram a defesa da investigação rigorosa dos fatos apresentados. Fernanda Couto e Mariana Conti, ambas do PSol-SP, e Debora Palermo (PL-SP), votaram a favor da abertura do procedimento parlamentar, manifestando alinhamento com os preceitos éticos exigidos para o cargo público.

Omissão constitucional

Segundo o MP, Ribeiro deveria devolver aos cofres públicos recursos obtidos por meio de 'rachadinha'. Deveria também perder o mandato. Na contra-mão, o engavetamento da Câmara, sem a devida investigação, é um disparate - sobretudo quando o ministro do STF André Mendonça esteve no mesmo dia na cidade alertando sobre a falta de credibilidade das instituições.

Idoneidade baixa

A sociedade civil acompanha a falta de desdobramentos práticos diante de denúncias vindas de órgãos externos de controle. A manutenção da credibilidade política depende da disposição em averiguar suspeitas, ato que a Câmara decidiu não exercer neste caso específico envolvendo o parlamentar.

Tampando o sol com peneira

Os canais de fiscalização popular e a atuação do MP continuam ativos para garantir o acompanhamento dos fatos. A rejeição da CP encerra o rito legislativo, mas transfere para o Jurídico e para urnas a responsabilidade de exigir as respostas que a Câmara se recusou produzir.