Correio da Manhã
Campinas

MP instaura inquérito sobre reajuste da tarifa de ônibus de Campinas (SP)

MP instaura inquérito sobre reajuste da tarifa de ônibus de Campinas (SP)
Empresas que perderam licitação têm até o fim desta semana para apresentar recursos Crédito: Fernanda Sunega/Prefeitura de Campinas

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito civil para apurar o reajuste da tarifa do transporte público municipal de Campinas em 2026 e o aumento do subsídio pago pela Prefeitura.

O processo foi aberto após denúncia da vereadora Mariana Conti e da deputada federal Sâmia Bomfim, ambas do PSol-SP. A representação questiona critérios para o aumento da passagem, evolução dos subsídios públicos e fiscalização dos contratos de concessão do transporte de ônibus.

O sistema de transporte de Campinas apresenta instabilidade, com discussões sobre a tarifa e sobre a licitação do transporte público de R$ 11 bilhões para concessão por 15 anos, prorrogáveis por mais cinco.

De acordo com a representação, a tarifa básica de R$ 6,50 e o Bilhete Único de R$ 6 tiveram reajustes de até 5,26%, superior aos 4,26% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - o índice oficial de inflação do Brasil. Já os subsídios municipais passaram de R$ 139,5 milhões para R$ 218,4 milhões em 2025, uma elevação de 56,56%.

Ainda de acordo com a documentação, em 2023 o Bilhete Único Comum passou de R$ 5,15 para R$ 5,45 e o Vale-Transporte de R$ 5,60 para R$ 5,90. Em 2024, os valores foram mantidos. Em 2025, o Bilhete Único subiu para R$ 5,70 e o Vale-Transporte para R$ 6,20.

E, este ano, atingiram R$ 6 e R$ 6,50, respectivamente. A sequência de aumentos e o crescimento do subsídio geram necessidade de controle sobre os custos das concessionárias e sobre a prestação do serviço.

“A população está pagando mais caro na catraca, o orçamento municipal está transferindo cada vez mais recursos ao sistema e, ao mesmo tempo, a nova licitação bilionária é cercada por questionamentos sobre transparência, vínculos empresariais e acesso a documentos. Isso exige fiscalização profunda, controle social e abertura completa das planilhas e contratos”, afirma Conti. 

“Campinas precisa enfrentar o debate de fundo: transporte público é direito social e serviço essencial. Não podemos aceitar um sistema em que a população paga caro, o orçamento municipal injeta centenas de milhões de reais e as decisões continuam concentradas em contratos pouco transparentes que nunca representam uma mudança de fato. É preciso lutar por tarifa zero e pela municipalização do transporte público, com planejamento público, controle social e prioridade absoluta ao usuário”, acrescenta.

Já Bomfim declarou: “onde há tarifa alta, subsídio elevado e falta de transparência, deve haver investigação. O transporte público precisa servir ao povo, e não funcionar como fonte permanente de lucro privado sem controle efetivo”. 

O outro lado 

O Correio da Manhã entrou em contato com a Prefeitura para obter o posicionamento do Executivo a respeito. Em nota, o Palácio dos Jequitibás informou que "vem fornecendo toda a documentação solicitada pelo Ministério Público, a partir dos estudos de composição da tarifa realizados pela Emdec (autarquia responsável pelo transporte público campineiro) e pela Setransp (Secretaria Estadual de Transporte)".

Reforça "que o reajuste aplicado às tarifas do transporte público vigentes em 2026 considera o índice médio de recomposição de 4,24%, próximo da taxa acumulada da inflação do período".

Finaliza pontuando que "os índices aplicados buscam o equilíbrio econômico-financeiro do sistema e consideram custos operacionais, tais como preços dos insumos, combustível e mão de obra".