Correio da Manhã
Campinas

Câmara rejeita abrir Comissão Processante contra Ribeiro

Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) acusa do vereador de rachadinha

Câmara rejeita abrir Comissão Processante contra Ribeiro

Por Raquel Valli

Os vereadores da Câmara de Campinas votaram contra a abertura de uma Comissão Processante para investigar o vereador Edison Ribeiro (União Brasil-SP) por improbidade administrativa. Votaram pelo arquivamento 26 parlamentares presentes na sessão, que ocorreu na noite de ontem. À favor, foram apenas as vereadoras Debora Palermo (PL-SP), Fernanda Souto e Mariana Conti, ambas do PSol-SP), também presentes em pelnário.

O pedido foi protocolado por Jônatas Rodrigues Manoel, baseando-se em uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) contra o vereador, contra o filho dele, André Ribeiro, e contra Guilherme do Prado, que atuou como servidor comissionado na Administração Regional 13.

Sanções

Na petição inicial, o MP requereu o ressarcimento dos danos causados ao erário municipal, a perda do mandato Ribeiro, e a suspensão dos direitos políticos dos envolvidos. O magistrado Claudio Campos da Silva, que atua na 3ª Vara da Fazenda Pública de Campinas, deferiu a medida de quebra dos sigilos fiscal e bancário do vereador e do filho dele, fundamentando que o acesso aos dados financeiros é necessário para a verificação e o aprofundamento das provas apresentadas.

Rachadinha

Ainda de acordo com a acusação, os indicados operavam um esquema de transferência de salários de servidores, conhecido como rachadinha, no qual os funcionários nomeados para cargos de comissão eram compelidos a repassar frações de suas remunerações mensais aos envolvidos como requisito para a contratação e a permanência nos postos de trabalho da estrutura pública. Depoimentos nos autos da investigação apontam que servidores comissionados confirmaram a prática ilegal.

A peça jurídica também relata a utilização de maquinário pertencente à Administração Regional 13 na execução e montagem da infraestrutura de uma festividade vinculada ao vereador, denominada Arraiá do Satélite Íris, que ocorreu em junho de 2024.

O Ministério Público manifestou ainda a necessidade de que o repasse de verbas salariais e o uso dos bens móveis municipais sejam julgados de forma conjunta no mesmo processo judicial. A ação faz menção a outros procedimentos investigativos, de natureza civil e criminal, que tramitam contra integrantes da família Ribeiro por improbidade, citando uma cobrança financeira para a pavimentação asfáltica em área de preservação ambiental no bairro Campo Grande, evento que também envolveu o emprego de máquinas da Administração Regional.

O outro lado

Procurado pelo Correio da Manhã, o vereador nega categoricamente os fatos alegados e a prática de improbidade administrativa além de rechaçar a acusação de ter solicitado recebido ou se beneficiado de parcelas de salários de servidores públicos.

Quanto ao evento Arraiá do Satélite Íris, sustenta que tratar-se de uma atividade pública gratuita realizada em campo de futebol na Rua Geraldo Campos Ferreira com tramitação formal perante a Administração Municipal.

Sobre o "Lixão da Pirelli", pontua ser pública a necessidade de ações permanentes de zeladoria e limpeza. Por fim, afirma que permanece à disposição para eventuais esclarecimentos e confia que, ao final, os fatos serão devidamente esclarecidos.

Ribeiro respondeu à reportagem por meio do advogado Rodolfo Nóbrega da Luz, do escritório Cardella.

Ontem, ao fim da votação, Ribeiro afirmou que a verdade prevaleceu.