Com cinco horas e quarenta e seis minutos de atraso, o vereador Vini Oliveira (Cidadania-SP) se pronunciou a respeito do vídeo em que aparece saindo de uma empresa de ônibus com um malote suspeito. Na quarta-feira (28), o parlamentar informou pelas redes sociais que iria se pronunciar sobre o caso nesta quinta, às 12h, e “desmascarar mais uma vez o transporte que está tentando acabar com a vida” dele. Mas, o pronunciamento só ocorreu às 17h46 por meio de um vídeo em que ele nega ter recebido dinheiro.
“Eu espero que a verdade alcance o mesmo número de pessoas que a mentira alcançou. E por isso a gente precisa conversar. Eu vou mostrar para vocês o que tem aqui dentro do malote”, afirmou, mostrando drives e documentos - segundo ele, os mesmos obtidos na viação.
Mas, o vereador omitiu dados cruciais, não informando a identidade da empresa envolvida no escândalo, nem tampouco o nome do executivo com quem se reuniu na empresa de ônibus. Da mesma forma, não esclareceu sobre o teor exato da papelada ou a especificação dos arquivos digitais armazenados nas mídias portáteis.
Informou, entretanto, que tratam-se de denúncias sobre o transporte coletivo municipal, mas sem mencioná-las especificamente.
Confirmou que esteve na companhia, dizendo que a garagem fica em Paulínia e que a visita ocorreu em 1º de abril. “No dia 2, eu já fiz um vídeo mostrando para vocês parte desses documentos aqui. E logo no primeiro dia útil seguinte, que foi 6 de abril, eu fui ao Ministério Público, onde eu apresentei essa denúncia aqui”.
Na sequência, negou estar envolvido em irregularidades. “Nunca encostei a mão em dinheiro que não seja o meu salário, e peço ao Ministério Público que quebre meu sigilo bancário, e que veja que eu não devo nada a ninguém. Eu nunca encostei no dinheiro da população. Nunca cometi rachadinha, propina ou desvio de dinheiro. Meu mandato é limpo. Minha trajetória é limpa”.
Relatou também o comparecimento prévio ao endereço no dia 28 de março para observar os métodos operacionais da companhia, além das condições da frota veicular. Já em relação à visita de 1º de abril, disse ter sido a respeito dos documentos.
“Por coincidência, a cada denúncia que eu faço, a cada vídeo postado, a cada precariedade mostrada do transporte público da nossa cidade, eu recebo uma retaliação. Todo dia é uma retaliação diferente em cima de mim. A quem interessa o meu fim? A quem interessa o fim do meu mandato? A quem interessa o fim da minha pré-campanha? A quem interessa o fim do Vini Oliveira, que combate a máfia do transporte público de frente, sem temer?”, indagou.
Investigação
Só nesta quinta-feira (28), a Câmara Municipal recebeu três pedidos para investigá-lo. Dois deles pedem a instauração de uma Comissão Processante para averiguar se Vini, com o malote, praticou improbidade administrativa (conduta ilegal de agentes públicos que se enriquecem causando prejuízo ao erário, sujeitando o infrator a penalidades como perda do cargo e suspensão de direitos políticos).
"Não se trata de criminalizar a figura pública apenas por uma visita institucional, mas de apurar fatos objetivos que podem indicar prática de ilícito: a reunião reservada em empresa diretamente ligada a serviço público essencial e o recebimento de um malote sem explicação pública configuram elementos capazes de suscitar suspeitas de corrupção, tráfico de influência ou advocacia administrativa", afirma o ativista Adriano Novo, um dos que protocolaram o pedido de CP.
O terceiro pedido de investigação dá conta de que o parlamentar contratou uma servidora, mas que ela não trabalha no gabinete.
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