Correio da Manhã
Campinas

Estudantes denunciam invasão a acampamento e agressão; Unicamp repudia intimidação

Estudantes denunciam invasão a acampamento e agressão; Unicamp repudia intimidação
Agressores derrubaram barracas, acordaram e xingaram os estudantes que dormiam Crédito: @caia.unicamp/Reprodução

Por volta das 2h da madrugada desta quarta-feira (27), estudantes em greve da Universidade Estadual de Campinas que dormiam em um acampamento montado em frente ao Ciclo Básico 2, no campus de Barão Geraldo, relataram terem sido alvo de ameaças, ofensas e intimidação por um grupo que, segundo os próprios alunos, é ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). O caso terminou em boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil e motivou uma nota oficial de repúdio da reitoria da universidade.

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De madrugada, agressores derrubaram barracas onde estudantes em greve dormiam | Foto: caia.unicamp/Reprodução

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), quatro estudantes e um segurança patrimonial da universidade registraram boletim de ocorrência por ameaça e injúria contra cinco homens. Segundo o relato feito à polícia, os estudantes — que estão acampados de forma pacífica desde o início da greve — foram ameaçados e tiveram barracas derrubadas durante a ação. A Polícia Militar foi acionada para conter a confusão, e o caso foi encaminhado ao 7º Distrito Policial de Barão Geraldo.

Vídeos divulgados pelo Centro Acadêmico do Instituto de Artes (Caia) mostram parte da confusão registrada durante a madrugada. Em nota publicada nas redes sociais, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) afirmou que estudantes responsáveis pela segurança do acampamento chegaram a ser agredidos fisicamente durante a ação.

Um dos estudantes que registrou boletim de ocorrência afirmou que o grupo chegou ao local enquanto os alunos dormiam após mais um dia de mobilização da greve. “Às 2h da manhã, fomos surpreendidos pelo grupo do MBL que, mais uma vez, atacou o acampamento do IA, organizado pacificamente”, disse.

Segundo o estudante, esta não teria sido a primeira situação de intimidação registrada nas últimas semanas dentro da universidade. Ele afirmou que episódios semelhantes já haviam ocorrido anteriormente em outros institutos da Unicamp.

“Partiram para cima de algumas companheiras, sobretudo. Foram palavras muito ofensivas contra os estudantes, chamando nós de vagabundos”, declarou. O aluno também cobrou medidas mais efetivas de segurança dentro do campus e disse que os estudantes não pretendem interromper a mobilização da greve diante das intimidações.

Nas redes sociais, estudantes do Instituto de Artes classificaram o episódio como um “ataque ao acampamento pacífico organizado em defesa das pautas da greve” e afirmaram que receberam apoio do Serviço de Vigilância do Campus (SVC) durante o deslocamento até a delegacia para o registro da ocorrência.

“A gente está cansado de ser surpreendido e atacado cotidianamente. É inadmissível a sequência de ataques violentos que vêm ocorrendo dentro da nossa universidade”, diz trecho da publicação compartilhada pelos estudantes após o episódio.

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, a reitoria da Unicamp manifestou “repúdio à invasão e aos atos de intimidação protagonizados por pessoas estranhas à comunidade universitária” no acampamento localizado no Ciclo Básico.

A universidade afirmou que episódios de invasão, filmagens não autorizadas e atos que coloquem em risco a integridade física de estudantes, docentes e funcionários são “intoleráveis” e representam “uma afronta à autonomia universitária, à convivência democrática e ao livre exercício do debate acadêmico”.

A administração da universidade informou ainda que está adotando medidas administrativas e jurídicas para identificar os envolvidos e responsabilizá-los pelos atos. A reitoria também declarou solidariedade aos estudantes que relataram insegurança após o episódio e afirmou que irá reforçar as providências para garantir a tranquilidade dentro do campus.

Esta é a segunda vez em cerca de três meses que estudantes da Unicamp denunciam episódios de intimidação relacionados a mobilizações políticas dentro da universidade.

A greve estudantil na Unicamp ocorre em meio a reivindicações ligadas à permanência estudantil, melhorias na estrutura da universidade e questões relacionadas à moradia estudantil. O acampamento em frente ao Ciclo Básico 2 foi montado como uma das formas de mobilização dos alunos durante o movimento.

Reconhecida nacionalmente pelo alto nível acadêmico, a Unicamp possui um dos vestibulares mais concorridos do país. O processo seletivo é marcado por provas interdisciplinares e questões dissertativas que exigem capacidade crítica, interpretação e elaboração de raciocínio. A concorrência varia conforme o curso escolhido: carreiras como Medicina costumam registrar algumas das maiores relações candidato-vaga do Brasil, enquanto licenciaturas e determinadas engenharias apresentam índices menores.

O vestibular da universidade é dividido em duas fases. A primeira reúne questões objetivas com forte ênfase em interpretação e interdisciplinaridade. Já a segunda fase se destaca pelas questões dissertativas e pela redação, que pode exigir diferentes gêneros textuais, como cartas, manifestos, resenhas e textos de opinião, fugindo do modelo tradicional adotado por grande parte dos vestibulares brasileiros.

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Estudantes registram boletim de ocorrência no 4º Distrito Policial de Campinas após agressões de integrantes do MBL, que derrubaram barracas e agrediram alunos em greve dentro do campus da Unicamp | Foto: @dceunicamp @caia.unicamp/Reprodução