Campinas

Classe B encolhe em Campinas, e cesta básica sobe pela 7ª vez consecutiva

Classe B encolhe em Campinas, e cesta básica sobe pela 7ª vez consecutiva
Classes D e E compreendem rendimentos de até R$ 1.177 por mês, aponta índice do IPC Maps Crédito: Joédson Alves/Agência Brasil

A classe B encolheu em Campinas de 2025 para 2026, segundo o Índice do Potencial de Consumo (IPC Maps), que calcula o potencial de consumo de cada município brasileiro baseado em dados demográficos e econômicos, permitindo que empresas tracem estratégias de mercado por meio do mapeamento do comportamento de compras regional.

Em 2025, 139 mil domicílios campineiros eram de classe B, ou seja, 32% do município. Mas, em 2026 são 117 mil, representando 26,9%. A maioria migrou para a classe C, que cresceu de 212 para 216 mil, configurando 49,7%. Já a menor fatia migrou para a A, que passou de 26 para 30 mil domicílios, 6,9% da população.

De acordo com o levantamento, a classe B foi a maior afetada pelo aumento do custo de vida e pela inflação. Já a C, foi a que mais ascendeu, passando a ser o maior mercado consumidor da cidade. Ainda de acordo com o estudo, o avanço é resultado do aumento do emprego CLT, que impacta mais significativamente as classes D e E. A pesquisa aponta ainda que, apesar da ascensão das classes mais baixas, a classe média segue tendo os impostos e o custo de vida como os maiores desafios a enfrentar.

Isso porque Campinas atua como um polo econômico regional focado no setor de serviços, englobando as áreas de educação, saúde, comércio, tecnologia e logística. Esse arranjo econômico gera uma quantidade expressiva de empregos formais, porém esses postos de trabalho apresentam uma média salarial relativamente baixa.

O município apresenta um custo de vida superior ao de cidades menores localizadas no interior paulista, o que provoca uma diminuição direta no poder de compra dos trabalhadores. Em 2026, a combinação de taxas de juros elevadas com o reajuste nos preços de itens essenciais, como alimentos, medicamentos e combustíveis, resultou em uma migração expressiva de famílias para a classe C.

Esse fenômeno socioeconômico ocorreu porque os reajustes salariais do período não acompanharam o avanço da inflação, impedindo que a população mantivesse o padrão de vida diante dos custos operacionais da cidade.

Classes sociais

O IPC Maps estabelece a divisão da renda domiciliar mensal entre as classes sociais estipulando que as classes D e E compreendem rendimentos de até R$ 1.177 por mês. O patamar financeiro da classe C2 se inicia em R$ 2.648, enquanto o da classe C1 exige rendimentos a partir de R$ 4.526.

A configuração econômica da classe B2 abrange os domicílios com rendimento acima de R$ 7.874, seguida pela classe B1, que estipula o valor de R$ 13.636. A classe A engloba os domicílios que registram rendimento superior a R$ 28.331.

Aumento da Cesta Básica

A cesta básica em Campinas aumentou 0,62%em abril e bateu os R$ 836,96, o que representa 51,6% do salário-mínimo vigente, segundo pesquisa do Observatório PUC-Campinas. Entre os produtos que mais subiram, o leite integral (alta de 18,35%), a batata (12,92%) e o feijão (9,86%) . No sentido oposto, a banana teve queda de 15,74%, e o açúcar, de 6,35%.

O custo do conjunto de alimentos essenciais na metrópole registra trajetória ascendente contínua desde outubro de 2025, ou seja, este é o sétimo aumento consecutivo. 

Mas, o economista José Afonso Bittencourt lembra que a situação atual de Campinas ainda é melhor do que a do restante do Brasil. “As 27 capitais, pelo segundo mês consecutivo, tiveram um aumento na cesta básica, sendo a cidade de São Paulo a mais cara: R$ 906,14. Campinas, que é uma metrópole maior que 17 capitais, teve um dos menores aumentos: 0,62%, um dos mais baixos”.

Entre os módicos que contribuem para os aumentos, Bittencourt destaca: “a alta no custo de transporte, que pressiona os preços, impactando a distribuição; as mudanças climáticas, que impactaram a safra e a oferta de produtos, como verduras e legumes; e os conflitos geopolíticos, que influenciaram os custos dos combustíveis”.