Campinas

Derrite afirma que Segurança Pública foi maior desafio de sua vida

Derrite afirma que Segurança Pública foi maior desafio de sua vida
O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) em Campinas Crédito: Moara Semeghini/Correio da Manhã

O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) oficializou nesta sexta-feira (15), em Campinas, sua pré-candidatura ao Senado Federal em um evento realizado no Royal Palm Plaza Hotel. Ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República, e do senador Sérgio Moro (PL-PR),

Derrite destacou sua trajetória na área da segurança pública e afirmou que assumiu a Secretaria de Segurança Pública paulista como “o maior desafio pessoal e profissional” de sua vida.

Durante o discurso, o parlamentar afirmou que participou da elaboração do plano de segurança pública da gestão Tarcísio e citou operações de combate ao crime organizado realizadas no estado, principalmente na Baixada Santista e na região central da capital paulista. Derrite também mencionou o apoio político recebido dentro da Assembleia Legislativa e declarou que pretende conquistar uma das cadeiras do Senado em Brasília.

Sobre Derrite

Ex-secretário da Segurança Pública do Estado entre 2023 e 2025, Derrite trabalhou ao lado de Tarcísio de Freitas. Em novembro de 2025, foi escolhido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) para ser o relator de uma nova versão do projeto de lei de combate a facções criminosas, que foi apresentado originalmente pelo governo federal após a megaoperação policial que deixou 121 mortos no Rio de Janeiro.

O texto original priorizava mecanismos de rastreamento financeiro e investigação integrada, mas sofreu alterações durante a tramitação no Congresso e resultou na Lei 15.358/2026, que endureceu punições penais.

Uma das principais mudanças propostas por Derrite para que as investigações ocorressem de forma conjunta entre a Polícia Federal e as forças estaduais sobre facções criminosas, que dependeriam de autorização formal dos governadores.

A proposta gerou reação do governo federal e da própria Polícia Federal. Em nota divulgada em novembro de 2025, a corporação classificou a medida como um “retrocesso” e afirmou que ela poderia comprometer operações de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), como a deflagrada pela PF em outubro de 2025.

A gestão de Derrite na Secretaria de Segurança Pública também foi marcada por críticas de entidades de direitos humanos e especialistas em segurança pública devido à letalidade policial em operações realizadas no litoral paulista.

As ações da Polícia Militar na Baixada Santista, entre 2023 e 2024, deixaram dezenas de mortos.
A Operação Verão 2024, deflagrada na Baixada Santista, registrou 56 mortes de civis em supostos confrontos com policiais militares e civis. A ação durou de dezembro de 2023 até o início de abril de 2024, também resultou na morte de dois policiais.

Relatório da Ouvidoria de Polícia de São Paulo e de organizações da sociedade civil denuncia cinco casos de execução sumária pela Polícia Militar, um caso de tentativa de execução, duas invasões ilegais de domicílio pelos militares e seis relatos de abusos policiais durante abordagens da Operação Escudo da PM em fevereiro de 2024, no litoral paulista.

As duas operações, deflagradas pela PM na Baixada Santista em 2023 e 2024, juntas deixaram um saldo de 84 pessoas mortas na região. Antes de assumir a secretaria, Derrite atuou na Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), onde também se envolveu em polêmicas relacionadas à alta letalidade em confrontos. Derrite foi retirado da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) devido ao seu alto índice de letalidade e excesso de mortes e de violência em serviço. Na época, em um áudio vazado nas redes sociais Derrite diz ser "vergonhoso" para um policial "não matar nem três pessoas em cinco anos".

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo em janeiro de 2023, o parlamentar reconheceu ter enviado um áudio criticando transferências de policiais da corporação e afirmou que a declaração ocorreu em um momento de emoção.