Campinas

Áudio de Bolsonaro em ato com Flávio pode configurar violação, diz especialista

Áudio de Bolsonaro em ato com Flávio pode configurar violação, diz especialista
Dário Saadi, Sérgio Moro, Guilherme Derrite, Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas no evento Crédito: Moara Semeghini/Correio da Manhã

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar e está proibido pelo STF de gravar áudios ou utilizar meios de comunicação, teve um áudio reproduzido nesta sexta-feira (15) durante o lançamento da pré-campanha do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) ao Senado, em Campinas. A manifestação pode configurar descumprimento de uma das regras impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu que o ex-presidente saísse do regime fechado e fosse para o regime de prisão domiciliar, em função das questões de saúde. 

A reportagem do Correio da Manhã registrou em vídeo o momento em que o áudio de Bolsonaro foi reproduzido durante o ato político realizado no Royal Palm Plaza Hotel, em Campinas. As imagens podem ser conferidas no Instagram do jornal (@correiodamanhabr). Veja a transcrição do áudio abaixo.

Para a advogada criminalista, Adelaide Albergaria Pereira, a existência material reproduzido publicamente durante o evento pode configurar infração à determinação do ministro Alexandre de Moraes. 

“Ele (Bolsonaro) descumpriu uma regra imposta na execução da pena, que é de se comunicar com o meio exterior. O que pode ocorrer em tese, é a determinação de regresso do sentenciado ao regime anterior de cumprimento de pena. Ou seja, a regressão do regime de prisão domiciliar para a volta ao regime fechado”, disse Adelaide Albergaria Pereira, mestre em Direito Penal e conselheira estadual da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo.

O evento marcou a oficialização da pré-candidatura de Derrite ao Senado e reuniu o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o prefeito de Campinas, Dário Saadi (Republicanos-SP), o senador e pré-candidato ao governo do Paraná, Sérgio Moro (PL-PR), e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.

Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por 90 dias, conforme decisão do STF, em razão de seu estado de saúde após cirurgia e tratamento de uma broncopneumonia. Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados aos atos antidemocráticos, o ex-presidente está proibido de utilizar meios de comunicação como smartphones, celulares, telefones, redes sociais e também de gravar vídeos ou áudios, inclusive por intermédio de terceiros, segundo decisão assinada por Moraes.

Na decisão que autorizou a prisão domiciliar humanitária, Moraes determinou que Bolsonaro utilizasse tornozeleira eletrônica e proibiu expressamente o uso de smartphones, celulares, telefones ou outros meios de comunicação, mesmo que por meio de terceiros. A decisão também vedou a utilização de redes sociais e a gravação de vídeos ou áudios.

Demais especialistas em Direito Penal ouvidos anteriormente em casos semelhantes explicam que a consequência jurídica mais provável seria processual: a revogação imediata do benefício da prisão domiciliar e o retorno ao sistema prisional comum.

Apesar da restrição,a mensagem gravada por Bolsonaro foi reproduzida durante o evento que marcou o lançamento da pré-campanha de Derrite ao Senado,e também consolidou o movimento em torno da pré-candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro. O evento reuniu apoiadores e lideranças conservadoras e teve discursos de todos os políticos presentes. O espaço estava relativamente cheio.

Áudio de Jair Bolsonaro exibido no evento:

"O amor, o patriotismo, a entrega não tem preço. Meus senhores, minhas senhoras, irmãos, cristãos, brasileiros, o meu sonho é o sonho de vocês. Nós vamos conseguir seu objetivo. 

Teremos, e é o nosso dever, produzir a felicidade. Nós produziremos o Brasil. Repito, ninguém tem o que nós temos.

Deus foi muito generoso pra nós. Pra mim, um triplo. Além da segunda vida, uma família.

A base da sociedade. No momento mais difícil da minha vida, eu só pedia que Deus não deixasse órfão a minha filha de sete anos. O resto, com amigos, com brasileiros libertados e com Deus no coração, nós superaremos os obstáculos".