O Governo do Estado de São Paulo recebeu estudos para implantação do chamado Contorno Norte da Rodovia D. Pedro I (SP-65), um novo anel viário projetado para retirar o tráfego pesado do trecho urbano da rodovia em Campinas, considerado um dos mais congestionados da região.
O projeto funcional e o Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) foram elaborados pela concessionária Rota das Bandeiras, responsável pela administração da via, a pedido da Secretaria Estadual de Parcerias em Investimentos (SPI).
A proposta prevê a construção de um corredor viário de aproximadamente 32 quilômetros de extensão. O trajeto teria início na altura da ligação da D. Pedro I com o Anel Viário Magalhães Teixeira, próximo ao distrito de Sousas, em Campinas, seguindo até a Rodovia Anhanguera (SP-330), com conexões também às rodovias Professor Zeferino Vaz (SP-332) e Governador Adhemar Pereira de Barros (SP-340). O contorno atravessaria áreas de Campinas, Paulínia e Sumaré.
Atualmente, o trecho urbano da Rodovia D. Pedro I recebe cerca de 125 mil veículos por dia. Nos horários de pico, motoristas enfrentam congestionamentos que chegam a dez quilômetros de extensão, principalmente entre os entroncamentos com as rodovias Zeferino Vaz e Anhanguera. Em alguns períodos do fim da tarde, trajetos entre Campinas e Sumaré podem levar mais de uma hora para serem concluídos.
Antes mesmo de uma definição oficial sobre a obra, o Contorno Norte já provoca debates nas redes sociais e mobilização de moradores das regiões potencialmente afetadas. Entre os principais questionamentos levantados por internautas e ambientalistas estão os impactos ambientais do novo corredor viário, os efeitos da expansão imobiliária na região Norte de Campinas e possíveis impactos sobre bairros consolidados.
Comentários publicados em redes sociais apontam preocupação com possíveis supressões de vegetação, fragmentação de corredores ecológicos, impermeabilização do solo e aumento da pressão sobre áreas de proteção ambiental. Também há críticas ao modelo de expansão urbana baseado em condomínios fechados e na dependência do transporte individual nas margens da Rodovia D. Pedro I.
Outra preocupação envolve possíveis impactos sobre a região de Barão Geraldo, Betel e o entorno da Mata Santa Genebra. Projeções compartilhadas em grupos contrários ao projeto indicam que o traçado preliminar poderia atingir corredores de fauna, áreas rurais e parte da zona de amortecimento da Mata Santa Genebra, considerada a segunda maior floresta urbana do país.
Moradores também questionam a possibilidade de desapropriações e o aumento da circulação de veículos próximos a áreas residenciais. Outro ponto levantado é que o novo eixo viário poderia estimular ainda mais a expansão urbana em regiões ambientalmente sensíveis.
Estado
Em nota ao Correio da Manhã, a Secretaria de Parcerias em Investimentos informou que os estudos ainda estão em andamento e que diferentes alternativas de mobilidade e logística estão sendo avaliadas para melhorar a fluidez e a segurança viária no trecho urbano da D. Pedro I.
Segundo a pasta, as análises incluem estudos sobre traçado, impactos operacionais, necessidade de intervenções complementares, cronograma de execução, estimativas de investimento e viabilidade técnica, ambiental e econômica. O governo afirmou ainda que apenas após a conclusão dessas análises será definido o modelo mais adequado para eventual implantação do projeto.
Mobilização
A mobilização levou três moradoras de regiões que serão afetadas pela obra no distrito - Karina Gozzi, Carolina Marques, Verônica Guimarães - a organizar uma reunião aberta neste sábado (16), às 10h, na sede da ADunicamp, em Barão Geraldo. O encontro reúne moradores, entidades e representantes da comunidade para discutir os possíveis impactos do projeto.
"Se aprovado do jeito que está, o projeto de uma nova rodovia passará pelo Campo Experimental do CPQBA/Unicamp colocando em risco décadas de pesquisa", disse a jornalista Verônica Guimarães. "O Preserva Betel é um grupo de moradores preocupados com os impactos que essa rodovia, que corta nosso bairro ao meio, terá se aprovada no traçado atual. Estamos mobilizados para que o traçado seja alterado para áreas mais viáveis", afirmou.
O vereador o vereador Wagner Romão (PT) apoia a mobilização. Segundo ele, o traçado preliminar apresentado em estudos gera preocupação devido aos possíveis impactos ambientais e urbanos. O vereador afirma que patrimônios ambientais, áreas verdes e bairros consolidados podem ser afetados caso a proposta avance nos moldes atualmente discutidos.
Em publicações nas redes sociais, grupos contrários ao projeto afirmam que o novo segmento rodoviário pode comprometer a qualidade do ar, aumentar ruídos e afetar a segurança de pedestres e ciclistas em bairros da região Norte de Campinas e de Betel, em Paulínia.
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