Campinas

Greve avança na Unicamp e atinge 20 cursos, dizem estudantes

Greve avança na Unicamp e atinge 20 cursos, dizem estudantes
Congestionamento na Rodovia D. Pedro I (SP-065), nesta terça (12): manifestação a contra violência ocorrida em ato promovido pelos universitários na capital paulista Crédito: Divulgação/STU

Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciaram uma greve em diferentes cursos da universidade. Segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE), até esta quinta-feira (14), ao menos 20 centros acadêmicos haviam aprovado adesão ao movimento. As assembleias começaram na última quarta-feira (7), e a expectativa da entidade estudantil é de que outros seis cursos realizem reuniões ao longo do dia para decidir sobre a participação na paralisação.

De acordo com o DCE, os seguintes cursos e institutos do campus de Campinas já aprovaram greve: Arquitetura, Licenciatura Integrada de Química e Física, Engenharia de Alimentos
Midialogia, Música, Artes Cênicas, Dança e Artes Visuais, Biologia, Farmácia, Geologia e Geografia
Engenharia de Controle e Automação, Fonoaudiologia, Economia, Ciências Sociais e História, Profis, Engenharia Mecânica, Pedagogia, Química, Letras, Linguística e Estudos Literários, Medicina, Computação
Física/Cursão, Filosofia. No campus de Limeira, cerca de 3 mil estudantes já haviam aderido à greve na semana passada, suspendendo as aulas.

Principais reivindicações

O movimento estudantil afirma que a greve busca “dignidade para morar, estudar e trabalhar”. Entre as principais reivindicações apresentadas estão: ampliação de bolsas e políticas de permanência estudantil; melhorias no transporte entre e dentro dos campi; acesso a serviços de saúde especializada e saúde mental; implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira; espaços físicos para centros acadêmicos e diretórios; fim da terceirização de serviços; posicionamento contrário à autarquização do Hospital de Clínicas.

Segundo representantes do DCE, a paralisação deve continuar até que a universidade apresente respostas concretas às pautas, especialmente sobre moradia estudantil e permanência.

O que motivou a greve?

O movimento ganhou força após a reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada na última segunda-feira (4). Estudantes afirmam que as demandas da categoria não foram discutidas durante a negociação.

O Cruesp reúne os reitores da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além de representantes do governo estadual. Atualmente, o conselho é presidido pelo reitor da Unicamp, Paulo Cesar Montagner.

“A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação. Percebemos a necessidade de ampliar a mobilização”, afirmou Víctor Guglielmoni, representante estudantil de Limeira.

Em meio à mobilização, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) publicou nesta quarta-feira (13) um relato sobre uma roda de conversa realizada para discutir os aprendizados da greve de 2023, classificada pela entidade como “uma das mobilizações mais fortes e vitoriosas da história da universidade”.

Segundo o DCE, o encontro destacou a importância da organização estudantil e da mobilização coletiva para a conquista de direitos dentro da universidade.

“Relembrar essa luta é também entender que nenhuma conquista veio sem organização, pressão e mobilização estudantil”, afirmou a entidade em publicação nas redes sociais.

O que diz a Unicamp

A Reitoria da Universidade Estadual de Campinas informou que mantém diálogo contínuo com entidades estudantis e lideranças sindicais, reafirmando o compromisso com a busca de soluções consensuais.

Segundo a universidade, as negociações com representantes do Fórum das Seis seguem em andamento, com foco na preservação das atividades acadêmicas e na continuidade do debate institucional.

A administração também afirmou que prioriza o aprimoramento das políticas de permanência estudantil, incluindo moradia, transporte e auxílios, e destacou que estudos seguem em andamento para viabilizar melhorias dentro das possibilidades orçamentárias da instituição.

Em nota, a Reitoria declarou ainda que as atividades essenciais continuam funcionando normalmente e reiterou que valoriza o ambiente acadêmico, a segurança jurídica e o desenvolvimento das atividades pedagógicas.

Servidores também aderiram

O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) também aderiu à paralisação. Segundo o sindicato, 23 setores foram afetados, incluindo: Faculdade de Ciências Médicas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Faculdade de Engenharia de Alimentos, Instituto de Biologia, Instituto de Geociências
Instituto de Física Gleb Wataghin, Faculdade de Ciências Aplicadas (Limeira), Faculdade de Enfermagem
Diretoria Geral de Administração, Instituto de Computação, Biblioteca Central, Instituto de Química
Hospital de Clínicas e Hospital da Mulher, Colégio Técnico de Campinas (Cotuca), Faculdade de Educação
Instituto de Artes, Diretoria Acadêmica, Sistema de Arquivos (Siarq), Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica, Secretaria Executiva de Comunicação, Centros e Núcleos (Cocen).

Entre as principais reivindicações dos servidores estão reajuste salarial, contratação de funcionários por concurso público, redução da terceirização, defesa dos hospitais universitários públicos e ampliação das políticas de permanência estudantil.

Representantes do Fórum das Seis participaram nesta quinta-feira (14) de uma nova rodada de negociação com o Cruesp, em São Paulo.