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Greve na Unicamp não é razoável em propostas

Reivindicações excessivas enfraquecem o movimento perante a administração e a opinião pública

Greve na Unicamp não é razoável em propostas
Pedido de reajuste salarial de 15,97% não é razoável Crédito: Antoninho Perri/Unicamp

Greve Unicamp I

O direito à greve reflete o exercício da liberdade de expressão profissional. No entanto, a legitimidade encontra-se condicionada à razoabilidade das propostas. Quando os pleitos extrapolam os limites do razoável, o movimento perde força perante a administração e a opinião pública.

Greve Unicamp II

A insistência em demandas desvinculadas da realidade transforma o diálogo em impasse. Entre as reivindicações apresentadas na greve da Unicamp, destaca-se o pedido de reajuste salarial de

15,97%. Somado a esse índice, pleiteia-se ainda a reposição da inflação, ignorando-se qualquer pragmatismo.

Greve Unicamp III

Tais exigências estabelecem patamares financeiros que não encontram respaldo na arrecadação atual ou projetada. Mesmo porque o orçamento institucional funciona mediante repasses vinculados à arrecadação de impostos, o que impede a garantia de índices de períodos ainda não transcorridos.

Greve Unicamp IV

Ao pautar a mobilização em torno de cifras fantasiosas, os grevistas afastam a possibilidade de conquistas graduais e factíveis. O foco em valores inalcançáveis prejudica a própria categoria, que necessita de melhorias imediatas e possíveis de implementação. Além disso, as manifestações também devem respeitar direitos de terceiros.

Greve Unicamp V

A obstrução à rotatória de acesso ao Hospital de Clínicas (HC), que atende urgências e emergências de toda a região, é no mínimo irresponsável e retira o apoio popular à causa trabalhista - e com toda e qualquer razão. É inadimissível que a busca por direitos desrespeite os de outrem.

Greve Unicamp VI

Para que o movimento seja levado a sério e alcance resultados concretos, é imperativo que haja reformulação das estratégias e metas. A maturidade sindical exige a conciliação entre as necessidades dos trabalhadores e a realidade pública, sem desvaneios.