Correio da Manhã
Campinas

Unicamp anuncia negociação em meio à greve das universidades estaduais

Unicamp anuncia negociação em meio à greve das universidades estaduais
Congestionamento na Rodovia D. Pedro I (SP-065), nesta terça (12): manifestação a contra violência ocorrida em ato promovido pelos universitários na capital paulista Crédito: Divulgação/STU

A Universidade Estadual de Campinas informou que uma nova rodada de negociação entre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e as entidades sindicais será realizada nesta quinta-feira (14), em São Paulo. O anúncio ocorre em meio à mobilização de trabalhadores e estudantes da universidade, que realizaram protestos na manhã desta terça-feira (12) e provocaram reflexos no trânsito em acessos ao distrito de Barão Geraldo, em Campinas.

Em nota oficial, a Reitoria afirmou que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em andamento e reiterou o compromisso da instituição com o diálogo. A universidade também informou que as atividades essenciais seguem normalmente.

“A Reitoria da Unicamp informa que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso, reafirmando o compromisso da Universidade com o diálogo transparente e construtivo”, informou a instituição.

Segundo a universidade, o encontro de quinta-feira reunirá representantes do Cruesp e das entidades sindicais. A Reitoria afirmou ainda que permanece empenhada na negociação para buscar um desfecho que preserve as atividades acadêmicas e o conjunto da comunidade universitária.

A mobilização desta terça afetou, durante parte da manhã, importantes acessos a Barão Geraldo. Manifestantes realizaram ato na região da Avenida Guilherme Campos, próximo às marginais da Rodovia D. Pedro I, e também no trecho conhecido como Tapetão, na entrada pela Rodovia Zeferino Vaz.

Os bloqueios provocaram lentidão para motoristas que seguiam para o campus da Unicamp, outras universidades da região e serviços de saúde, como o Hospital de Clínicas e o Hemocentro. Segundo a concessionária da Rodovia D. Pedro I, houve congestionamento nas marginais do km 137 e reflexos no acesso à Avenida Adolfo Lutz. O trânsito começou a ser liberado por volta das 9h e foi normalizado perto do meio-dia.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU), o protesto desta terça também foi uma resposta à violência registrada durante uma manifestação realizada na segunda-feira (11), em frente à Secretaria de Educação do Estado, na capital paulista.

O ato reuniu estudantes da USP, Unesp e Unicamp e ocorria nas proximidades do local onde aconteceria uma reunião do Cruesp. O encontro, porém, havia sido cancelado ainda pela manhã.

Durante a mobilização, houve confusão envolvendo os vereadores paulistanos Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, ambos do União Brasil. Segundo relatos, houve troca de agressões entre manifestantes e os parlamentares, e a Polícia Militar interveio com uso de gás de pimenta para dispersar o tumulto.

Após a ação policial, os estudantes seguiram em caminhada até a Avenida Paulista e, posteriormente, realizaram assembleia na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, na Cidade Universitária.

A mobilização marca o avanço da greve nas universidades estaduais paulistas. Iniciado na USP, o movimento já alcançou a Unicamp e a Unesp, com reivindicações relacionadas à permanência estudantil, alimentação, contratação de docentes e melhorias na estrutura universitária.

Na USP, estudantes em greve chegaram a ocupar a Reitoria e foram retirados pela Polícia Militar durante a madrugada de domingo (10). De acordo com informações divulgadas por entidades estudantis, cerca de 150 alunos estavam no prédio administrativo. Cinco estudantes foram hospitalizados e quatro detidos após a operação policial.

O governo do Estado informou que apura possíveis excessos durante a ação. Já a USP declarou não ter sido avisada previamente sobre a operação da PM e repudiou a intervenção.

O movimento grevista nas universidades estaduais paulistas reúne estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes das três instituições. As entidades ligadas ao Fórum das Seis defendem uma pauta unificada de reivindicações, que inclui recomposição salarial, contratação de servidores, ampliação das políticas de permanência estudantil e críticas à terceirização e à autarquização de serviços públicos nas universidades.

Segundo as entidades sindicais, a proposta de reajuste de 3,47% apresentada pelo Cruesp não recompõe as perdas inflacionárias acumuladas nos últimos anos. O Fórum das Seis reivindica reajuste de 15,97%.

Na Unicamp, uma das principais críticas do movimento é relacionada ao processo de autarquização da área da saúde. O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) afirma que a medida pode ampliar a participação da iniciativa privada na gestão do complexo hospitalar da universidade.

As entidades também criticam o cancelamento da reunião de negociação prevista para segunda-feira (11), em São Paulo. Mesmo com a confirmação de uma nova rodada de negociação para quinta-feira (14), representantes do movimento afirmam que aguardam propostas concretas do Cruesp sobre recomposição salarial, benefícios e progressões funcionais.

Os estudantes da Unicamp também aderiram à mobilização após assembleia convocada pelo Diretório Central de Estudantes (DCE). Entre as reivindicações estão a ampliação das moradias estudantis, melhorias na permanência universitária, contratação de docentes e críticas ao processo de autarquização da área da saúde.