Membros da Santa Casa de Campinas (SP) entram na Justiça para suspender eleição; irmandade é investigada pelo MP
Um grupo de membros da Irmandade de Misericórdia de Campinas, que abrange os hospitais Irmãos Penteado e Santa Casa, ingressou com uma liminar na Justiça para suspender a eleição da nova mesa diretiva, marcada para 30 de abril - data quando termina o mandato da atual diretoria. A ação argumenta que há falta de transparência da atual gestão e recusa no fornecimento de documentos básicos, que impedem a isonomia do pleito.
Solicita a nomeação de um interventor imparcial, por meio da Justiça, para gerir a instituição e para organizar uma nova eleição. Sustenta que a atual gerência, no poder há 18 anos, não disponibilizou a lista completa de votantes, nem tampouco dados administrativos e financeiros necessários para a disputa democrática.
A movimentação judicial ocorre em um contexto de questionamentos sobre o processo administrativo dos hospitais, que descumprem as leis de Transparência. No portal da instituição, por exemplo, não há balanços, nem informes do tipo. O último dado disponível é da assembleia geral ordinária de 2024.
Desde 2025, a entidade é investigada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) por suposto esquema de “rachadinha” entre a Irmandade e vereadores, que teriam recebido de 10% a 20% dos recursos públicos destinados por emendas parlamentares impositivas. A investigação começou devido à denúncia anônima de um servidor da Câmara Municipal.
A própria entidade admitiu em registros processuais a existência de instabilidade econômica severa com débitos acumulados e saldo negativo, enquanto projetos de exploração imobiliária na área da instituição são alvos de contestação por possível desvio de finalidade.
“Não se trata de disputa política apenas. Estamos falando de uma instituição que presta um serviço fundamental. A falta de acesso a informações e a ausência de transparência preocupam e precisam ser enfrentadas com seriedade", afirma a advogada Stela Borghi, do grupo Santa Causa, que tem se mobilizado por obter transparência na instituição.
O outro lado
O Correio da Manhã entrou em contato com a Irmandade de Misericórdia de Campinas, solicitando dados financeiros, como contratos referentes a 2025 e 2026, além do posicionamento da instituição sobre as investigações do Ministério Público e a atual situação financeira da entidade. Mas, até o fechamento desta matéria, não obteve resposta.