Em três dias, dois voos da Azul retornam a Viracopos após decolagem
Um voo da Azul Linhas Aéreas com destino a Brasília precisou retornar ao Aeroporto Internacional de Viracopos na madrugada desta quarta-feira (4), logo após a decolagem. É o segundo caso semelhante em três dias: na segunda-feira (2), outra aeronave da companhia também voltou ao terminal de Campinas após informar urgência.
No episódio desta quarta (4), o voo AD4978 (Viracopos–Brasília) retornou ao aeroporto de origem pouco depois de decolar. A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos informou que houve pouso de emergência e que todas as equipes e protocolos de segurança foram prontamente acionados. Segundo a assessoria de imprensa da Aeroportos Brasil Viracopos, a aeronave aterrissou em segurança e as operações não sofreram impactos.
Já a Azul afirmou, por meio de sua assessoria, que não houve pouso de emergência, mas sim solicitação de prioridade para pouso “por motivos operacionais”. Em nota, a companhia destacou que a aterrissagem e o desembarque ocorreram normalmente e em total segurança. A empresa acrescentou que os passageiros receberam assistência conforme determina a Resolução 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e foram reacomodados em outro voo na manhã desta quarta-feira.
Questionada, a companhia reiterou que medidas como retorno ao aeroporto de origem são procedimentos adotados para garantir a segurança das operações, considerada valor primordial pela empresa.
Caso de segunda-feira
Na manhã de segunda-feira (2), o voo AD5047, que seguia de Viracopos para Araçatuba, também precisou retornar ao aeroporto de origem após a decolagem, devido a questões técnicas.
Na ocasião, a concessionária informou que houve pouso de emergência e acionamento de protocolos de segurança, com aterrissagem realizada por volta das 11h20, sem registro de intercorrências. As operações do aeroporto seguiram normalmente.
A Azul declarou que a tripulação solicitou prioridade para pouso de forma preventiva e que o procedimento ocorreu em total segurança. Segundo a companhia, os clientes impactados receberam a assistência prevista na Resolução 400 da Anac e foram reacomodados em outra aeronave. Nos dois episódios, não houve registro de feridos.
A Azul Linha Aéreas tem em Campinas seu principal centro de operações no Aeroporto Internacional de Viracopos, que é o maior e mais importante terminal de cargas aéreas da América Latina.
American e United
Os episódios ocorrem dias após a Azul anunciar que a American Airlines e a United Airlines passarão a deter, cada uma, 8% das ações da companhia, após aportes de US$ 100 milhões por empresa como parte do plano de reestruturação financeira concluído na semana passada.
O investimento marca uma nova fase para a aérea brasileira após a saída do Chapter 11 - mecanismo equivalente à recuperação judicial nos Estados Unidos. No caso da American, o aporte ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Além da participação acionária, a Azul firmará um novo acordo de compartilhamento de voos (codeshare) com a American. A empresa já mantém parceria semelhante com a United há mais de 12 anos. Segundo o CEO John Rodgerson, o modelo deve seguir a mesma lógica do acordo já existente, ampliando conexões e integração de malhas internacionais. O acordo comercial também deverá passar pelo Cade.
Rodgerson afirmou que, apesar de se tornarem acionistas de referência, as duas companhias norte-americanas não terão direito automático a assentos no conselho, conforme as regras estabelecidas no plano aprovado pela Justiça dos Estados Unidos.
Saída do Chapter 11 e redução de dívida
A Azul anunciou na sexta-feira (20) a conclusão do processo de recuperação judicial iniciado em maio de 2025. Segundo comunicado da companhia, a reestruturação foi finalizada em menos de nove meses.
Ao deixar o Chapter 11, a empresa informou ter recebido US$ 850 milhões em novos investimentos em ações, além dos compromissos adicionais das duas aéreas norte-americanas. Também houve captação de US$ 1,375 bilhão em novos títulos.
De acordo com a companhia, a reestruturação resultou em redução aproximada de US$ 2,5 bilhões em dívidas e obrigações de arrendamento, corte superior a 50% nas despesas anuais com juros e diminuição de cerca de um terço nos custos recorrentes de leasing de aeronaves. A alavancagem líquida proforma ficou abaixo de 2,5 vezes, o menor nível da história da empresa, segundo a Azul.
Durante o processo, a companhia manteve cerca de 800 voos diários, registrou índice de pontualidade de 85,1% e transportou 32 milhões de passageiros em 2025, o maior volume anual da sua história. Atualmente, opera aproximadamente 175 aeronaves e atende mais de 130 cidades em cerca de 250 rotas.
