Ex-vereador

Polícia indicia Milton Leite em caso ligado ao PCC

Apuração vê indícios de ação da facção em 12 das 22 viações da capital

Polícia indicia Milton Leite em caso ligado ao PCC
Milton Leite se apresentou às autoridades na Grande São Paulo Crédito: Richard Lourenço/Rede Câmara

A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) por suspeita de integrar e promover uma organização criminosa. Ex-presidente da Câmara Municipal, ele é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo. A corporação pediu à Justiça a prisão preventiva de Leite, que está detido temporariamente desde 18 de setembro.

A investigação aponta que 12 das 22 empresas de ônibus analisadas na capital estariam sob controle ou influência da facção. A apuração também alcança empresas que atuam no ABC Paulista e na Baixada Santista. Uma das suspeitas é que integrantes do grupo tenham assumido a administração de operadoras após a obtenção de contratos em licitações, conforme o relatório final.

Os investigadores atribuem a Leite o comando de fato da Transwolff, que operou linhas municipais na capital. A suspeita se apoia em depoimentos e no conteúdo de mensagens analisadas pela polícia. Segundo o inquérito, essas conversas indicariam que o ex-vereador acompanhava projetos da operadora e tratava de questões da empresa com dirigentes do setor. A Prefeitura rompeu o contrato com a Transwolff após suspeitas de vínculo com a facção.

Em depoimento, Leite negou ter participação direta ou indireta em empresas de ônibus e afirmou desconhecer os integrantes do PCC mencionados na investigação. Segundo o ex-vereador, os contatos com empresários e representantes da SPTrans, responsável pela gestão do sistema municipal, faziam parte de sua atuação parlamentar. Ele se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes em setembro.

Entre os demais indiciados está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. A investigação reuniu dados de celulares, documentos, registros financeiros e depoimentos. Além da atuação no transporte, a polícia apura suspeitas de interferência em licitações e de financiamento de candidaturas pela facção. Uma das frentes envolve as eleições municipais de 2024 em Praia Grande, no litoral paulista.

O Ministério Público deve avaliar o relatório para decidir se apresenta denúncia. Cabe à Justiça analisar o pedido de prisão preventiva. A Polícia Civil informou que ainda pretende examinar materiais pendentes e aprofundar a apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.