A Polícia Civil de São Paulo indiciou o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) por suspeita de integrar e promover uma organização criminosa. Ex-presidente da Câmara Municipal, ele é investigado na Operação Vectura Corrupta, que apura a atuação do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo. A corporação pediu à Justiça a prisão preventiva de Leite, que está detido temporariamente desde 18 de setembro.
A investigação aponta que 12 das 22 empresas de ônibus analisadas na capital estariam sob controle ou influência da facção. A apuração também alcança empresas que atuam no ABC Paulista e na Baixada Santista. Uma das suspeitas é que integrantes do grupo tenham assumido a administração de operadoras após a obtenção de contratos em licitações, conforme o relatório final.
Os investigadores atribuem a Leite o comando de fato da Transwolff, que operou linhas municipais na capital. A suspeita se apoia em depoimentos e no conteúdo de mensagens analisadas pela polícia. Segundo o inquérito, essas conversas indicariam que o ex-vereador acompanhava projetos da operadora e tratava de questões da empresa com dirigentes do setor. A Prefeitura rompeu o contrato com a Transwolff após suspeitas de vínculo com a facção.
Em depoimento, Leite negou ter participação direta ou indireta em empresas de ônibus e afirmou desconhecer os integrantes do PCC mencionados na investigação. Segundo o ex-vereador, os contatos com empresários e representantes da SPTrans, responsável pela gestão do sistema municipal, faziam parte de sua atuação parlamentar. Ele se apresentou à polícia em Mogi das Cruzes em setembro.
Entre os demais indiciados está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans. A investigação reuniu dados de celulares, documentos, registros financeiros e depoimentos. Além da atuação no transporte, a polícia apura suspeitas de interferência em licitações e de financiamento de candidaturas pela facção. Uma das frentes envolve as eleições municipais de 2024 em Praia Grande, no litoral paulista.
O Ministério Público deve avaliar o relatório para decidir se apresenta denúncia. Cabe à Justiça analisar o pedido de prisão preventiva. A Polícia Civil informou que ainda pretende examinar materiais pendentes e aprofundar a apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.
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