A cidade de São Paulo registrou, em outubro, 271,2 milímetros de chuva na estação meteorológica de Interlagos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O volume ficou 91% acima da média do mês entre 1991 e 2020, de 141,8 milímetros, e foi o maior para outubro desde o início da série local, em 2018. O recorde anterior era de 231,6 milímetros, registrado em 2023.
O período foi marcado por temporais que provocaram alagamentos, enchentes e deslizamentos em diferentes regiões da capital. As ocorrências afetaram a circulação e deixaram veículos submersos em vias inundadas. No túnel do Anhangabaú, carros e ônibus foram atingidos pelo avanço da água durante uma chuva forte. O volume acumulado ao longo do mês também coincidiu com episódios de chuva intensa, granizo e ventos fortes.
Um dos temporais mais severos ocorreu em 14 de outubro. Na zona norte, uma mulher de 47 anos morreu soterrada após o deslizamento de uma encosta atingir a casa onde ela estava. A ocorrência evidenciou o risco de desabamentos durante períodos de precipitação intensa, especialmente em áreas sujeitas a escorregamentos de terra. A chuva também provocou danos e transtornos em outros pontos da cidade.
A estação de Interlagos registrou chuva superior a 1 milímetro em 19 dias de outubro. O dado considera os registros disponíveis no local e não representa, necessariamente, a quantidade de precipitação em todos os bairros. Houve falhas pontuais na estação do Mirante de Santana, na zona norte, que impediram o cálculo diário em alguns dias. Por isso, o Inmet utilizou os dados de Interlagos para comparar o volume mensal com a média histórica.
A chamada normal climatológica é calculada com base nas médias observadas ao longo de pelo menos três décadas consecutivas. Para outubro, a referência utilizada foi o período de 1991 a 2020. A diferença entre os 271,2 milímetros registrados em Interlagos e a média de 141,8 milímetros indica que o acumulado ficou quase duas vezes acima do padrão histórico para o mês naquele ponto de medição.
Os impactos dos temporais incluíram alagamentos e enchentes, que podem interromper o trânsito, dificultar deslocamentos e expor motoristas, passageiros e pedestres a situações de risco. Imagens registradas no túnel do Anhangabaú mostraram veículos cercados pela água. Em áreas vulneráveis, a chuva também pode provocar deslizamentos, como o que atingiu a residência na zona norte. A morte registrada naquele episódio foi a consequência mais grave mencionada entre as ocorrências.
O volume elevado não se distribuiu de forma uniforme pela cidade, e os dados de uma estação meteorológica não permitem determinar quanto choveu em cada bairro. Ainda assim, o registro de 19 dias com precipitação acima de 1 milímetro em Interlagos mostra que houve chuva em vários momentos do mês, além dos episódios de maior intensidade. Os temporais concentraram os efeitos mais severos, com danos, interrupções e risco à população.
A diferença entre o acumulado e a média também ajuda a dimensionar a excepcionalidade do mês na estação analisada. O total superou em 39,6 milímetros o recorde anterior de outubro, registrado em 2023. O novo máximo, porém, se refere à série de Interlagos, iniciada em 2018, e não a toda a história meteorológica da capital. As falhas registradas em Mirante de Santana limitaram a comparação entre os pontos.
Os episódios de outubro reuniram efeitos distintos: a água acumulada em vias e no túnel do Anhangabaú, os transtornos causados por enchentes e o deslizamento fatal na zona norte. Os dados do Inmet indicam que o volume mensal ficou bem acima da referência climática, enquanto os registros de ocorrências mostram como os temporais afetaram a cidade. O acumulado e os impactos, contudo, não permitem atribuir cada ocorrência a um único fator
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