Caso em apuração

Polícia investiga 19 corpos na capital e Grande SP

Investigação descarta assassino em série; suspeita envolve o grupo PCC

Polícia investiga 19 corpos na capital e Grande SP
Novo batalhão da Polícia Militar começou a operar com 250 policiais e 150 motocicletas, com atuação definida por indicadores criminais Crédito: Secretaria de Comunicação do Estado de São Paulo

A capital paulista e a região metropolitana tiveram 19 corpos encontrados desde 10 de setembro. A Polícia Civil descarta a hipótese de atuação de um assassino em série e investiga se a maior parte das mortes está ligada a execuções determinadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

O caso mais recente ocorreu na manhã desta quinta-feira (22), quando um homem foi localizado morto na Marginal Tietê. Nos dois dias anteriores, outros dois corpos foram encontrados na cidade: um em uma área de mata de difícil acesso no Tremembé, na zona norte, e outro também na Marginal Tietê.

No Tremembé, a ocorrência foi registrada nas proximidades da Avenida Coronel Sezefredo Fagundes. O outro caso envolve restos mortais de uma mulher. Segundo a investigação, dois homens teriam abandonado o corpo na marginal. As circunstâncias das mortes são apuradas pela Polícia Civil.

O levantamento reúne ocorrências em ruas, rodovias, represas, terrenos baldios e áreas de mata. Na capital, foram contabilizados quatro casos na zona sul, quatro na leste, três na norte e dois na oeste. Outros quatro registros ocorreram no ABC Paulista. Embu das Artes e Santana de Parnaíba tiveram um caso cada.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, parte das vítimas apresentava sinais de violência, com corpos amarrados, queimados ou esquartejados. Em sete ocorrências, os cadáveres estavam dentro de sacos ou envolvidos em cobertores. Até o momento, foram identificados 11 homens e três mulheres. Em cinco casos, ainda não foi possível determinar o sexo.

A identificação das vítimas depende das condições dos corpos. Quando não é possível utilizar impressões digitais, os peritos recorrem à antropologia e à odontologia forense. A comparação da arcada dentária com registros anteriores e dados fornecidos por familiares pode auxiliar o reconhecimento. Exames antropológicos também ajudam a estabelecer características biológicas.

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) afirma que não há elementos que indiquem um assassino em série. Os investigadores avaliam que as mortes têm motivações distintas. A suspeita é que parte delas tenha ocorrido em julgamentos clandestinos atribuídos ao PCC. A polícia informou que identificou suspeitos em alguns casos e pediu à Justiça a prisão de pelo menos um deles. Segundo a polícia, as vítimas já identificadas possuíam antecedentes criminais.