O Jockey Club de São Paulo anunciou à CPI que investiga a entidade um acordo com o BTG Pactual para financiar o pagamento de sua dívida com o município. O plano, apresentado na terça-feira (13), ainda depende da aprovação do conselho do clube. Segundo os representantes da instituição, a aplicação dos descontos do Programa de Transação Tributária reduz o valor a pagar para R$ 228 milhões.
A comissão ouviu o presidente Vicente Renato Paolillo, em seu segundo depoimento, e o sócio e conselheiro Renato Junqueira Filho. De acordo com a apresentação, a dívida com a Prefeitura é de cerca de R$ 800 milhões. O passivo total mapeado pelo clube chega a R$ 1,3 bilhão e inclui obrigações tributárias, trabalhistas e cíveis.
Junqueira explicou que os recursos da instituição financeira serão usados para viabilizar a quitação dos passivos. Um modelo prevê a construção de um novo clube, com capacidade para cerca de 14 mil frequentadores. A venda de títulos deverá gerar receitas para cumprir as obrigações assumidas com o banco.
O projeto também contempla um parque de uso público de 85 mil metros quadrados e espaços voltados a lazer, gastronomia, comércio e entretenimento. A gestão, que assumiu em 2026, informou que pretende recuperar as finanças da entidade e preservar o turfe. Essas medidas foram apresentadas como parte da proposta de reorganização do Jockey.
Paolillo afirmou que o clube busca esclarecer as pendências investigadas pela CPI. Sobre os descontos, argumentou que as condições decorrem de uma lei municipal e não são exclusivas da instituição. O presidente também disse que parte dos valores cobrados é contestada na Justiça e não é reconhecida pela entidade.
O presidente da CPI, Gilberto Nascimento (PL), avaliou favoravelmente o plano de financiamento, mas destacou que sua execução depende do aceite dos membros do Jockey. Ele citou os descontos previstos para negociação e afirmou que, se o clube não pagar a dívida, terá de entregar a área.
Roberto Tripoli (PV) questionou a redução do débito e defendeu que a Câmara acompanhe o processo. Segundo o vereador, o município deixaria de receber mais de R$ 400 milhões. Ele também contestou a viabilidade do modelo apresentado, citou a existência de apenas 400 sócios e reiterou sua oposição às corridas de cavalos.
A reunião contou também com Sansão Pereira (Republicanos), vice-presidente da CPI, e Silvinho Leite (União).
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