Moradores da zona sul de São Paulo pediram a criação do Parque Telefunken em audiência pública na Câmara Municipal. A proposta é transformar o terreno da antiga fábrica de eletrônicos, no Jardim Sabará, distrito de Campo Grande, em área pública de lazer e preservação ambiental. Representantes de órgãos públicos se comprometeram a encaminhar as demandas e responder aos questionamentos posteriormente.
O imóvel possui quase 154 mil metros quadrados e está situado entre as avenidas Miguel Yunes e Nossa Senhora do Sabará, próximo ao Rio Jurubatuba. O terreno abriga vegetação da Mata Atlântica e fica em uma região urbanizada, com intenso trânsito. A destinação da área mobiliza moradores, associações de bairro e coletivos que defendem a manutenção das árvores e a implantação do parque.
A audiência foi proposta pela vereadora Renata Falzoni (PSB), integrante da Comissão de Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Atividade Econômica. Segundo ela, planos da Prefeitura previam, entre 1999 e 2017, a desapropriação do imóvel para a criação de um parque. A parlamentar relacionou a reivindicação à falta de áreas verdes e à necessidade de preservar árvores e solo permeável diante da crise climática.
O terreno integra o perímetro expandido do Plano de Intervenção Urbana (PIU) Arco Jurubatuba. O histórico de uso industrial exige levantamentos técnicos atualizados sobre possíveis riscos ambientais. Também precisam ser examinados os processos administrativos, as intervenções pretendidas e os projetos relacionados ao imóvel. A audiência também abordou questões fundiárias e de mobilidade no entorno.
O presidente da comissão, Nabil Bonduki (PT), afirmou que a área está classificada como Zona Especial de Proteção Ambiental (Zepam). O vereador questionou a manutenção de protocolos antigos e relatou que direitos associados ao terreno passaram entre incorporadoras. Para ele, o tempo transcorrido deveria ser considerado na análise desses registros, pela sensibilidade ambiental local.
Representante do Fórum Verde Permanente, Francisco Bodião cobrou informações da Prefeitura sobre o futuro do terreno. Ele manifestou preocupação com a preservação dos remanescentes de vegetação e com o interesse de empreendedores na construção de mais edifícios na região. A definição do uso da antiga fábrica foi apresentada pelos participantes como uma demanda ainda sem solução.
Maria do Carmo Lofti, moradora e conselheira do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades), afirmou que Campo Grande tem menos áreas verdes que os demais distritos da Subprefeitura de Santo Amaro. Segundo ela, três escolas vizinhas apoiam a campanha. A conselheira defendeu o aproveitamento da vegetação existente para oferecer um parque à população.
A aposentada Gleice Maria de Vasconcelos, que vive na região desde 1975, associou a implantação do parque à melhoria do conforto ambiental. Crislei Custódio, representante da comunidade, disse que a reivindicação tem mais de 25 anos e citou o aumento do número de prédios e do adensamento populacional.
Participaram assessores das secretarias municipais do Verde e do Meio Ambiente, de Urbanismo e Licenciamento e de Mobilidade Urbana e Transporte, além da Subprefeitura de Santo Amaro. Também estiveram presentes representantes do Ministério Público e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Eles se dispuseram a levar as demandas aos órgãos responsáveis e a apresentar respostas posteriormente.
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