Cidade de São Paulo

Multas por avançar sinal vermelho aumentam 35%

Capital soma 124.282 autuações de janeiro a maio; a alta chega a 34,7%

Multas por avançar sinal vermelho aumentam 35%
Os dados do Observatório Mobilidade Segura incluem flagrantes de equipamentos eletrônicos e de agentes de fiscalização Crédito: Imagem criada por Inteligência Artificial

As multas por avançar o sinal vermelho aumentaram 34,7% na cidade de São Paulo entre janeiro e maio de 2026, em relação aos mesmos meses de 2025. O total passou de 92.233 para 124.282, com 32.049 registros adicionais. Os dados do Observatório Mobilidade Segura incluem flagrantes de equipamentos eletrônicos e de agentes.

Março concentrou o maior volume do período, com 27.979 autuações. Janeiro teve 23.617; fevereiro, 24.355; abril, 25.206; e maio, 23.125. Em cada um desses meses, os totais superaram os registrados no ano anterior. O levantamento abrange os cinco primeiros meses, sem representar o resultado de todo o ano.

Em maio, 48,3% das multas ocorreram das 6h às 17h59, 21% das 18h às 23h59 e 30,7% da meia-noite às 5h59. A maior concentração de registros foi no cruzamento da Rua da Consolação, sentido bairro, com a Avenida Paulista. Depois aparecem a Avenida Queiroz Filho, no número 1.700, e a Avenida Pedroso de Morais com a Rua Teodoro Sampaio.

A fiscalização dessa infração funciona durante as 24 horas do dia, inclusive na madrugada, em todos os dias da semana. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) dispõe de 180 radares para identificar o desrespeito ao semáforo, dentro de um conjunto de 879 equipamentos. A companhia também conta com 1.700 agentes habilitados a autuar condutores.

A identificação de motocicletas pode ser impedida quando a placa é encoberta por objetos ou pelo corpo do condutor. A CET informou que há casos em que motociclistas usam pés, mãos e mochilas para ocultar a identificação do veículo, o que inviabiliza o registro da autuação por esse meio.

O artigo 208 do Código de Trânsito Brasileiro classifica o avanço de sinal vermelho como infração gravíssima. A penalidade prevista é multa de R$ 293,47, com acréscimo de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação. O dispositivo também trata do desrespeito à sinalização de parada obrigatória.

A legislação prevê uma exceção para a conversão à direita diante do semáforo vermelho, quando houver sinalização autorizando expressamente a manobra. Essa permissão depende das condições indicadas na via e não libera o motorista para seguir em frente com o sinal fechado. A classificação da infração e o valor da multa são definidos pela legislação federal.

A discussão sobre o comportamento ao volante ainda foi abordada em pesquisa coordenada por Cassiano Isler, da Escola Politécnica da USP. Apresentado em setembro, o estudo reuniu 1.540 participantes de diferentes regiões pelo país e envolveu a Fundação Mapfre, a Universidade Federal do Paraná e a Secretaria Nacional de Trânsito.

Mais de 90% dos entrevistados associaram o respeito às regras à cidadania e à preservação da vida. Para cerca de um terço, porém, atrasos, urgências e pressão do fluxo de veículos interferem nessa disposição. O trabalho analisou atitudes relacionadas à velocidade, sem estabelecer a causa do aumento das multas por avanço de sinal em São Paulo.

A pesquisa combinou revisão bibliográfica, modelos de psicologia comportamental e simulações urbanas. Entre as evidências examinadas, dirigir acima do limite em Curitiba representou economia média de 7,81 segundos por quilômetro.

Em Fortaleza, reduzir o limite de 60 para 50 km/h acrescentou 6,08 segundos por quilômetro ao deslocamento. Os resultados apontam que o ganho de tempo pode ser absorvido pelos semáforos e pelo fluxo de trânsito. O levantamento busca orientar campanhas educativas, políticas de segurança viária e intervenções de engenharia nas vias.