O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou neste sábado (26) o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por não prestar, segundo ele, esclarecimentos sobre os recursos destinados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Haddad fez as declarações durante uma caminhada de campanha ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo. O petista também relacionou Flávio a outros casos investigados por autoridades.
O financiamento de “Dark Horse” é alvo de um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A Polícia Federal apura os repasses de Vorcaro para a produção e a eventual participação de Flávio Bolsonaro nas negociações. A investigação foi aberta após manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
“Ele não presta conta do filme ‘Dark Horse’ porque ele não presta mesmo. Esse cara está enrolado com todos os escândalos de corrupção. Em todo escândalo ele tem algum amigo”, afirmou Haddad durante o ato.
Investigação apura repasses para o filme
A investigação sobre “Dark Horse” ganhou força após a divulgação de mensagens e de um áudio em que Flávio Bolsonaro aparece negociando com Vorcaro recursos para financiar a produção sobre seu pai.
Segundo documentos da PF e da PGR que tiveram parte do sigilo retirado, Flávio aparece como interlocutor nas negociações com Vorcaro. A PF também investiga o destino dos recursos e se os valores foram efetivamente utilizados para financiar o longa-metragem.
A Agência Brasil informou que o inquérito apura possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme e que Flávio foi incluído formalmente como investigado. O valor citado na investigação é de R$ 61 milhões repassados pelo ex-banqueiro para custear a produção.
Flávio Bolsonaro afirmou anteriormente que os recursos foram destinados ao financiamento do filme e negou irregularidades. A produtora Go Up Entertainment também declarou que apresentou prestações de contas às autoridades e que colaboraria com as investigações.
Haddad cita outros casos
Durante o discurso, Haddad mencionou ainda investigações relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), às milícias e ao caso das chamadas rachadinhas.
Ao falar sobre o caso do INSS, citou o advogado Willer Tomaz, que é investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto. O nome de Daniel Vorcaro foi associado por Haddad ao caso Master.
O candidato também mencionou o ex-policial militar Adriano da Nóbrega, morto em 2020, e Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ao fazer referências às investigações e controvérsias que atingiram o grupo político ligado à família Bolsonaro.
As associações feitas por Haddad durante o discurso são declarações de campanha e não constituem, por si só, comprovação de participação de Flávio Bolsonaro em crimes nos casos citados.
Críticas a Tarcísio
Haddad também direcionou críticas ao governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Durante a caminhada, o petista afirmou que uma eventual vitória dele na eleição estadual faria Tarcísio deixar o governo e retornar a Brasília.
“Dia 4 é 13, Haddad e Márcio França, para mandar o Tarcísio para Brasília ou para o Rio de Janeiro, onde ele preferir”, afirmou.
A referência ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Haddad defende proibição das bets
No mesmo ato, Haddad também apoiou a decisão do governo Lula de proibir as apostas de quota fixa, as chamadas bets, além de jogos on-line como o “Jogo do Tigrinho”.
A proibição foi estabelecida pela Medida Provisória 1.394/2026, publicada na sexta-feira (25). A norma interrompe a exploração e a oferta de apostas de quota fixa no Brasil e estabelece regras para o encerramento das operações. A medida tem efeito imediato, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional.
Haddad associou a medida à política tributária defendida pelo governo e afirmou que a proibição das apostas representa mais uma ação contra o endividamento da população.
“Eles [Flávio e Tarcísio] estão defendendo bet que o presidente Lula acabou”, declarou o candidato.
A fala ocorreu um dia depois de Lula anunciar a MP e defender publicamente a decisão durante atos de campanha em São Paulo. O presidente afirmou que as apostas provocam endividamento e problemas financeiros entre famílias de baixa renda.
Haddad também voltou a defender a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, afirmando que o tempo livre deveria ser destinado à convivência familiar e a outras atividades, e não às apostas.
O ato reuniu Lula, Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede).
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