O Ministério Público Federal (MPF) realizou visitas técnicas a duas aldeias da Terra Indígena Jaraguá, em São Paulo, na zona norte da capital, para avaliar alternativas de abastecimento de água potável. Nas comunidades Tekoa Itakupe e Tekoa Yvy Porã, lideranças e representantes de instituições discutiram o uso de poços artesianos, o tratamento da água e o fornecimento de energia necessário para levá-la aos reservatórios.
As visitas ocorreram no dia 15 de setembro e foram divulgadas pelo MPF na quarta-feira (23). Segundo o órgão, a área indígena tem 536 hectares e reúne cerca de mil moradores Guarani Mbya, distribuídos por sete aldeias. Os levantamentos se concentraram em três núcleos de Itakupe e Yvy Porã.
Em Itakupe, a principal questão discutida foi como obter energia para bombear a água dos poços existentes. Os participantes avaliaram a ligação à rede elétrica e opções de geração local. A falta de acesso viário dificulta a entrada dos caminhões da Enel para os serviços. Lideranças também relataram a ausência de reservatórios suficientes, que obriga a comunidade a racionar a distribuição de água, e a escassez de banheiros.
Em Yvy Porã, o debate se voltou ao monitoramento e ao tratamento da água. A área onde fica a aldeia já foi usada como depósito de lixo, o que, segundo o MPF, representa risco de contaminação do solo e dos recursos hídricos. Os participantes examinaram possibilidades de descontaminação e de instalação de sistemas de energia solar. Também foram discutidas fontes de financiamento para as obras e manutenção dos equipamentos.
O encontro reuniu representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena, ligado ao Ministério da Saúde, de projetos da Universidade Federal de São Carlos e do Insper, da Enel e do Instituto Pasteur, além de organizações e empresas. A Sabesp foi convidada, mas não enviou representante, de acordo com o MPF. A procuradora Sandra Akemi Shimada Kishi acompanhou as atividades.
O MPF informou que os dados levantados servirão de base para novas reuniões e para definir as medidas adequadas a cada aldeia. Entre os temas em análise está a formação de agentes indígenas para operar e acompanhar soluções de saneamento e de gestão territorial. O órgão não anunciou prazo para implantar as medidas nem informou o custo estimado das intervenções. As propostas deverão ser discutidas com as lideranças antes dos próximos encaminhamentos.
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