O DJ Calvin Harris teve a apresentação no pré-Carnaval de São Paulo incluída no Guinness World Records ao reunir, segundo a Prefeitura, 1,6 milhão de pessoas na Rua da Consolação, em 8 de fevereiro. O registro é de maior público para um set de DJ realizado por um único artista. O desfile, porém, também foi marcado por superlotação, interrupções e relatos de foliões pisoteados em meio ao empurra-empurra.
O recorde foi anunciado pelo artista nas redes sociais em 20 de setembro e divulgado pela administração municipal no dia seguinte. Harris se apresentou sobre um trio elétrico no Bloco Skol, que percorreu a Consolação, na região central. O público de 1,6 milhão é uma estimativa, sem contagem individual de quem acompanhou todo o set.
Antes da apresentação do DJ, a concentração de pessoas dificultou a passagem do trio e a saída de foliões do circuito. Artistas que se apresentavam no bloco interromperam as músicas para pedir atendimento a pessoas que passavam mal. O cortejo ficou parado em alguns momentos, e o show de Harris, previsto para as 14h, começou depois das 15h. Equipes de socorro atenderam participantes durante o tumulto.
A multidão derrubou grades. Parte do público procurou saídas por vias transversais e por áreas de imóveis ao longo do trajeto. Em reportagem publicada no dia do desfile, o SBT News ouviu uma foliona que disse ter visto pessoas sendo pisoteadas antes da paralisação do bloco. Há relatos de pessoas machucadas e retiradas em macas, mas não foi divulgado um balanço que permita confirmar quantas sofreram lesões por pisoteamento.
A Polícia Militar informou à época que havia grande concentração de foliões, mas que não tinha registro de ocorrências graves naquele momento. Isso não elimina os atendimentos por mal-estar nem os relatos de compressão. A situação levou a corporação a orientar o público a evitar a Rua da Consolação durante a tarde.
A Prefeitura afirmou, no dia do desfile, ter acionado um plano de contingência às 14h55. Segundo a gestão municipal, foram abertas ruas transversais para a dispersão, bloqueada a entrada de mais pessoas no circuito e retiradas grades para facilitar o deslocamento. A Guarda Civil Metropolitana passou a atuar à frente do trio. A administração informou ainda que os postos médicos receberam foliões que buscaram atendimento.
Outro bloco de grande porte, o Acadêmicos do Baixo Augusta, tinha desfile previsto para o mesmo dia na Rua da Consolação. Sua organização atribuiu o atraso da saída à concentração de público no bloco de Harris e criticou a programação dos dois cortejos em horários próximos. O encontro de multidões no mesmo eixo ampliou as dificuldades de circulação e levantou questionamentos sobre o planejamento da operação de segurança e dispersão.
Na comunicação sobre o recorde, publicada em setembro, a Prefeitura destacou a dimensão da festa e a atuação das equipes municipais, mas não mencionou os episódios de superlotação registrados no desfile do DJ. A publicação trouxe dados do Carnaval de 2026: conforme o Observatório do Turismo, 17,3 milhões de pessoas participaram dos blocos de rua e dos eventos no Sambódromo do Anhembi. O órgão estimou movimentação de R$ 4 bilhões na economia da capital e 55 mil empregos diretos e indiretos.
O reconhecimento do Guinness considera o público estimado. O desfile ocorreu no centro de SP. Os registros de interrupções, atendimento a foliões e dificuldades de dispersão fazem parte do balanço do evento ao lado da marca alcançada pelo artista.
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