Trânsito

Frota paulistana ultrapassa 10 milhões de veículos

Número de registros mais que dobrou na capital em apenas duas décadas

Frota paulistana ultrapassa 10 milhões de veículos
Volume elevado reforça o peso da capital nas estatísticas Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

A cidade de São Paulo ultrapassou em março de 2026 a marca de 10 milhões de veículos registrados. Em julho, a frota chegou a 10,1 milhões, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O total inclui automóveis, motocicletas, ônibus, caminhões e outras categorias cadastradas no município.

O número é mais que o dobro do registrado duas décadas antes. Em julho de 2006, a capital paulista tinha 4,3 milhões de veículos. A expansão foi de 5,8 milhões no período, o equivalente a um crescimento de aproximadamente 135%. Na comparação com a população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de cerca de 12 milhões de habitantes, a cidade tem hoje quase um veículo para cada morador.

Os registros da frota são mantidos pela Senatran. Já o IBGE fornece a estimativa populacional usada nessa proporção. Dados do Detran-SP também mostram mudanças na composição dos novos emplacamentos. Nos últimos três anos, o registro de utilitários, categoria que reúne modelos como os SUVs, cresceu de forma consecutiva, enquanto automóveis e motocicletas apresentaram oscilações.

O aumento do número de veículos ocorre ao mesmo tempo em que os indicadores de congestionamento voltam a se aproximar dos níveis anteriores à pandemia. Em agosto de 2026, São Paulo teve média de 460 quilômetros de lentidão, conforme levantamento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). No mesmo mês de 2019, a média havia sido de 475 quilômetros.

Em 24 de junho, a capital registrou 1.690 quilômetros de congestionamento no início da noite. Foi o maior índice desde março de 2023, quando a CET passou a calcular a lentidão em parceria com o aplicativo Waze, considerando cerca de 20 mil quilômetros de vias. O recorde histórico, de 1.902 quilômetros, ocorreu em setembro de 2019, mas foi apurado com metodologia diferente.

A pressão sobre o trânsito coincide com a recuperação ainda incompleta do transporte coletivo. A Pesquisa Origem e Destino do Metrô de 2025 indicou que, pela primeira vez, as viagens por transporte individual superaram as feitas por meios coletivos na Região Metropolitana de São Paulo. Ônibus e trens ainda não retomaram integralmente a demanda anterior a 2020.

A Prefeitura de São Paulo informa que mantém o rodízio municipal, moderniza a rede de semáforos e amplia alternativas ao automóvel. Mais de 1.700 cruzamentos usam semáforos que se ajustam ao fluxo.