São Paulo

Criminosos furtam escritório ligado a Milton Leite e levam HD

Invasores levaram o equipamento que armazenava imagens das câmeras de segurança, mas deixaram R$ 19,2 mil em dinheiro no imóvel, na Zona Sul de São Paulo

Criminosos furtam escritório ligado a Milton Leite e levam HD
Casa ligada a Milton Leite na Rua General Bráulio Guimarães, em Santo Amaro Crédito: Reprodução/TV Globo

Um imóvel utilizado como escritório político pelo ex-vereador Milton Leite (União Brasil), em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, foi alvo de um furto na noite deste domingo (20). Os criminosos levaram o HD responsável por armazenar as imagens do circuito interno de segurança, mas deixaram no local R$ 19.271 em dinheiro.

A invasão ocorreu por volta das 21h15, em um imóvel localizado na Rua General Bráulio Guimarães. A ocorrência foi registrada no 11º Distrito Policial (DP), e a Polícia Civil iniciou diligências para tentar identificar os responsáveis.

Segundo informações obtidas pela reportagem, o equipamento que armazenava as gravações das câmeras de segurança foi retirado do imóvel. A ausência do HD pode dificultar, neste primeiro momento, o acesso às imagens que poderiam ajudar na identificação dos autores do furto.

Apesar de terem levado o equipamento de gravação, os invasores não retiraram o dinheiro encontrado pelos policiais. Ao todo, foram localizados R$ 19.271 em espécie no imóvel.

Também foram encontrados documentos pessoais e bancários atribuídos a Milton Leite espalhados pelo local. Entre os itens estavam talões, cartões bancários, Bilhete Único e uma carteirinha que identifica o ex-presidente estadual do União Brasil como associado ao Corinthians.

Parte dos documentos e o dinheiro localizado foram apreendidos pelos policiais civis responsáveis pelo atendimento da ocorrência.

A Polícia Militar não confirmou oficialmente a propriedade do imóvel, mas, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os agentes encontraram documentos que identificavam o ex-vereador como proprietário. A corporação informou que o caso foi apresentado como furto em residência.

A perícia foi acionada, e o local permaneceu preservado para os trabalhos dos investigadores. A Polícia Civil também busca obter outras imagens e informações que possam esclarecer a dinâmica da invasão.

Milton Leite está preso em Mogi das Cruzes

O furto ocorre enquanto Milton Leite permanece preso temporariamente em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. O ex-vereador é investigado pela Polícia Civil e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), em uma apuração que envolve suspeitas de ligação entre integrantes do setor de transporte e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Leite se apresentou à polícia na tarde de sexta-feira (18), em uma delegacia de Mogi das Cruzes. Um dia antes, ele havia sido alvo de um mandado de prisão temporária durante a Operação Vectura Corrupta e era considerado foragido.

De acordo com os investigadores, o ex-vereador teria participação direta na administração de empresas que, segundo a apuração, estariam sob influência do PCC. A investigação também aponta Milton Leite como suposto proprietário de fato da empresa de transporte Transwolff.

As acusações são investigadas pelas autoridades e ainda não resultaram em condenação. Leite nega as suspeitas.

No sábado (19), enquanto estava preso, o ex-vereador afirmou que não estava se sentindo bem e pediu atendimento médico. O episódio ocorreu pouco antes da audiência de custódia, que, por causa do atendimento, não foi realizada naquele momento.

“Estava na fila da custódia, mas passou mal e foi socorrido antes da audiência”, informou uma fonte ligada à investigação.

Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os sintomas apresentados ou sobre o estado de saúde de Milton Leite. A audiência de custódia deverá ocorrer posteriormente, de forma virtual.

O procedimento serve para que a Justiça analise as circunstâncias da prisão e avalie, entre outros pontos, a necessidade de manutenção da medida.

O que é a Operação Vectura Corrupta

A Operação Vectura Corrupta foi deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil para cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em diferentes municípios paulistas.

As medidas foram cumpridas em cidades como São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Além de Milton Leite, estão entre os investigados o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e Danilo Marco Morgado Silva (PL), que foi candidato à Prefeitura de Praia Grande.

Segundo a investigação, o grupo teria atuado em diferentes áreas relacionadas ao setor de transporte, incluindo empresas, processos de licitação, articulações políticas e financiamento de campanhas eleitorais.

A apuração também alcança a chamada “Sintonia dos Gravatas”. Segundo os investigadores, o núcleo seria formado por advogados que supostamente atuariam em favor da organização criminosa investigada.

Ex-vereador afirma ser inocente

Milton Leite negou as acusações ao deixar o local onde passou por exame no Instituto Médico-Legal (IML), na sexta-feira (18).

“Sou inocente de todas as acusações. Eu acredito na Justiça, no trabalho da polícia. Temos oportunidade agora de provar tudo o que foi dito”, declarou.

Questionado sobre eventual arrependimento, o ex-vereador respondeu que não teria motivos para se arrepender porque, segundo ele, não cometeu nenhum crime.

“Só arrepende quem comete crime. Eu não cometi nenhum e nada devo”, afirmou.

Alexandre Leite, filho do ex-vereador, também se manifestou sobre a prisão. Em vídeo publicado nas redes sociais no sábado (19), classificou a medida como injusta e afirmou que a defesa pretende utilizar o processo para esclarecer as acusações.

A investigação sobre a atuação do grupo continua, enquanto a Polícia Civil apura também as circunstâncias do furto no imóvel ligado a Milton Leite.