Wi-Fi

Nunes cita fim de programa municipal de Wi‑Fi em SP

Prefeitura consulta STF sobre alcance do bloqueio imposto ao instituto

Nunes cita fim de programa municipal de Wi‑Fi em SP
Nunes é contra a liberação de mototáxis na capital e vai recorrer Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o programa WiFi Livre SP poderá ser encerrado caso a Prefeitura fique impedida de manter os pagamentos ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A entidade responsável pela operação do serviço teve as atividades financeiras bloqueadas por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). A administração municipal aguarda esclarecimentos da Corte antes de definir o futuro do contrato.

A Procuradoria-Geral do Município apresentou uma petição ao STF para saber se a medida também alcança os repasses vinculados ao programa. A Prefeitura sustenta que busca segurança jurídica e pretende evitar a interrupção da internet gratuita, principalmente em bairros periféricos. Nunes declarou que, se os pagamentos forem proibidos, o município poderá rescindir o acordo e suspender o serviço.

O prefeito disse que a Companhia de Processamento de Dados do Município de São Paulo (Prodam) foi consultada sobre a possibilidade de assumir a operação. Segundo ele, a empresa municipal não conseguiria prestar o serviço pelo mesmo custo pago atualmente ao instituto. A gestão não informou se avalia uma nova licitação ou outra alternativa para manter os pontos ativos sem o ICB.

Firmado em 2024, o contrato previa inicialmente a instalação de 5 mil pontos de conexão e tinha valor de R$ 108 milhões. Após aditivos, o montante chegou a cerca de R$ 157 milhões, enquanto a quantidade prevista foi reduzida para 3,2 mil pontos. A Prefeitura afirma que essas estruturas estão instaladas e que o programa já contabilizou mais de 760 milhões de acessos.

O acordo é investigado pela Polícia Civil por suspeitas de irregularidades na execução e na prestação de contas. Documentos da apuração indicam possíveis pagamentos antecipados sem a correspondente entrega dos serviços, aparente superfaturamento e utilização de faturas comerciais sem as respectivas notas fiscais. O caso também passou a ser analisado pela Polícia Federal por determinação do STF.

A Controladoria municipal ainda mantém um procedimento próprio para apurar a execução do acordo e seus pagamentos.

O esclarecimento solicitado pelo município deverá definir se a restrição impede apenas operações específicas ou qualquer transferência de recursos públicos relativa ao Wi-Fi Livre SP. Até uma resposta do Supremo, o serviço permanece em funcionamento, segundo a gestão municipal.