O Brás registrou em 2025 o maior coeficiente de mortalidade infantil entre os 96 distritos da cidade de São Paulo. Foram 20 mortes de crianças com menos de 1 ano para cada mil nascidos vivos de mães residentes no distrito. O dado integra a terceira edição do Mapa da Desigualdade da Primeira Infância, elaborado pela Rede Nossa São Paulo e divulgado em agosto.
A média dos distritos paulistanos foi de dez óbitos para cada mil nascidos vivos. Na outra ponta do levantamento, Moema apresentou índice zero. Também não houve registro de mortes de crianças menores de 1 ano em Perdizes, Jaguara e Marsilac. Entre os maiores coeficientes, depois do Brás aparecem Pari, com 19,23 mortes por mil nascidos vivos, e Brasilândia, com 18,28.
O levantamento reúne indicadores relacionados às condições de vida de crianças de 0 a 6 anos nos distritos da capital. Os dados abrangem áreas como saúde, educação, moradia, violência, infraestrutura urbana e acesso a equipamentos públicos. A comparação busca identificar diferenças territoriais e apontar regiões com maior necessidade de políticas voltadas à primeira infância.
Na área da saúde, o mapa também analisa o acompanhamento pré-natal. No Alto de Pinheiros, 96,3% dos nascidos vivos eram de mães que realizaram sete ou mais consultas durante a gestação. Na República, o percentual ficou em 76,5%. A média entre os distritos foi de 86,2%.
Outro indicador avaliado foi a gravidez na adolescência. Em Moema, 0,13% dos nascidos vivos eram filhos de mulheres com menos de 20 anos, menor proporção registrada na cidade. Em Guaianases, o índice chegou a 10,5%, o maior entre os distritos. Parelheiros e Cidade Tiradentes também aparecem entre as regiões com percentuais mais elevados.
As diferenças também aparecem no acesso à educação infantil perto de casa. Na Casa Verde, 96% dos alunos da rede municipal e parceira estudam em unidades localizadas a até 1,5 quilômetro da residência. Em Marsilac, no extremo sul, essa proporção cai para 23,6%. A média dos distritos é de 78,7%.
O estudo considera ainda a oferta de Unidades Básicas de Saúde. Marsilac apresentou a maior proporção, com 1,68 UBS para cada 10 mil habitantes. Em distritos como Jardim Paulista, Consolação, Vila Mariana, Liberdade e Barra Funda, o indicador ficou em zero. A média da capital foi de 0,39 unidade para cada 10 mil moradores.
No ranking geral, calculado a partir do conjunto de indicadores, Moema ficou na primeira posição, com 77,3 pontos de um total possível de 96. Na sequência aparecem Alto de Pinheiros, Jardim Paulista, Perdizes e Pinheiros. Tremembé ficou na última colocação, com 38 pontos, seguido por Perus, Parelheiros, Jaraguá e Grajaú.
Segundo a Rede Nossa São Paulo, os resultados mostram que as desigualdades na primeira infância não seguem uma única divisão geográfica. Embora os piores resultados estejam concentrados com frequência em áreas de menor renda e mais distantes do centro expandido, um mesmo distrito pode apresentar desempenho favorável em determinado indicador e dificuldades em outro.
Os dados utilizados no mapa são provenientes da Prefeitura de São Paulo ou de pesquisas específicas. A Rede Nossa São Paulo reúne as informações, realiza os cálculos e compara os resultados entre os distritos. O levantamento é usado para identificar diferenças no acesso a serviços e nas condições de vida das crianças, além de subsidiar o debate sobre prioridades para políticas públicas municipais. A edição reúne dados recentes sobre a infância na capital.
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