Cultura em SP

Theatro Municipal cancela óperas após troca de gestão em SP

Instituto Baccarelli assume comando e altera programação do Municipal

Theatro Municipal cancela óperas após troca de gestão em SP
Instituto Baccarelli assumiu a liderança operacional e administrativa do Theatro após o fim do contrato com a Sustenidos Crédito: Divulgação/Theatro Municipal de SP

O Theatro Municipal de São Paulo oficializou a reformulação de sua programação artística para o segundo semestre de 2026. A mudança operacional ocorre na esteira da transição administrativa do complexo cultural, cujo comando passou a ser exercido pelo Instituto Baccarelli em junho deste ano. Com a nova diretriz, parte das produções operísticas inicialmente programadas foi retirada da grade de espetáculos, abrindo espaço para uma série de concertos sinfônicos conduzidos por maestros convidados.

Entre as principais alterações anunciadas está a exclusão do programa duplo que uniria criações da compositora Jocy de Oliveira e a ópera "Édipo Rei", obra de Igor Stravinsky. O evento estava agendado entre 30 de outubro e 7 de novembro. Para suprir a lacuna, a administração optou por incluir três ciclos de concertos executados pela Orquestra Sinfônica Municipal. O primeiro deles será o "Requiem de Verdi", marcado para os dias 23 e 24 de outubro, sob a batuta do maestro Fabio Mechetti. O regente assume o posto de diretor musical da instituição com essa apresentação, contando com a participação do Coro Lírico Municipal e do Coral Paulistano.

A sequência de apresentações sinfônicas continuará nos dias 30 e 31 de outubro, datas em que a orquestra interpretará composições de Franz Schubert e Gustav Mahler. Já no intervalo entre 6 e 7 de novembro, o grupo executará o programa "Morais e Tchaikovsky". Ambas as séries de concertos serão conduzidas pelo maestro Roberto Minczuk, que assume a responsabilidade artística dessas datas no calendário oficial da casa de espetáculos, trazendo grande dinamismo à temporada musical.

Outra modificação no cronograma anual foi a retirada da ópera "Andrea Chénier", composta por Umberto Giordano. Em substituição, o Theatro Municipal promoverá a remontagem de "Os Pescadores de Pérolas", criação de Georges Bizet. As sessões ocorrerão entre 27 de novembro e 6 de dezembro. A regência estará sob a responsabilidade de Roberto Minczuk, enquanto a direção cênica ficará a cargo de João Malatian, integrando os esforços de renovação estética da temporada.

De acordo com informações divulgadas pela nova entidade administradora, as alterações implementadas têm como finalidade primordial alinhar todo o repertório artístico às diretrizes, exigências e metas estabelecidas no novo contrato de gestão. O Instituto Baccarelli assumiu a liderança operacional e administrativa do espaço cultural após o encerramento do vínculo contratual com a organização anterior, a Sustenidos. Vale destacar que o período administrativo anterior foi marcado por debates públicos acalorados, crises institucionais recorrentes e episódios frequentes de atrito com a prefeitura municipal de São Paulo.

A nova administração assumiu o comando com o mandato explícito de revisar e reestruturar profundamente a programação artística, processo que já contemplava cortes e ajustes conceituais nas diretrizes. Em pronunciamento recente concedido à imprensa, o diretor-executivo do Instituto Baccarelli, maestro Edilson Ventureli, pontuou a filosofia institucional adotada. Conforme destacou o gestor, a prioridade absoluta da gestão é a fidelidade rigorosa à partitura e às intenções originais dos compositores, afastando produções de caráter político ou identitário. "Nós não temos a intenção de ter nada político ou identitário assim nas nossas produções", afirmou Ventureli, acrescentando que o objetivo central é cumprir exatamente o que o compositor escreveu em sua obra original para o público.

Com informações da Folha de S.Paulo.