Grande SP

Desigualdade na Grande SP impacta longevidade

Estudo compara 40 indicadores e revela abismo entre municípios vizinhos

Desigualdade na Grande SP impacta longevidade
Prefeitura de São Caetano inaugura parque linear na Kennedy Crédito: Divulgação/Prefeitura de São Caetano do Sul

Um levantamento recente, denominado Mapa da Desigualdade da Grande São Paulo, trouxe à tona uma disparidade alarmante nos níveis de qualidade de vida e longevidade entre os municípios que compõem a região metropolitana paulistana. Dados consolidados pela Rede Nossa São Paulo em parceria com o Instituto Cidades Sustentáveis indicam que um habitante de São Caetano do Sul possui, em média, uma expectativa de vida 16 anos superior à de um morador de Francisco Morato.

O indicador de longevidade, que utiliza como base a idade média ao falecer, ilustra o contraste acentuado existente entre cidades situadas na mesma área metropolitana. Enquanto em São Caetano do Sul a média registrada é de 76 anos, em Francisco Morato o número cai para 60 anos. Este fosso de quase duas décadas reforça a análise de que a localização geográfica e o município de residência são fatores determinantes para o acesso a direitos fundamentais, como saúde, saneamento básico, segurança e infraestrutura urbana.

A pesquisa não se limitou ao recorte específico da expectativa de vida. O Mapa da Desigualdade compila 40 indicadores distintos distribuídos pelos 39 municípios da Grande São Paulo, abrangendo esferas como educação, habitação, meio ambiente, mobilidade, cultura e renda. A metodologia empregada baseou-se no cruzamento de dados de órgãos oficiais, incluindo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o DataSUS, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).

O objetivo central do projeto é fornecer um diagnóstico preciso para gestores públicos e a sociedade civil, permitindo a formulação de políticas públicas mais eficazes que visem reduzir as desigualdades regionais. O estudo aponta que, embora as cidades compartilhem a mesma dinâmica econômica e sejam conectadas pelos fluxos diários de trabalhadores, o acesso a serviços públicos essenciais varia drasticamente entre elas.

No ranking consolidado pelo desempenho geral dos 40 indicadores, São Caetano do Sul figura na primeira posição, destacando-se como a localidade com as melhores métricas entre os municípios avaliados. Na contramão, Francisco Morato apresenta um desempenho deficitário, situando-se nas últimas posições do levantamento. A capital paulista, São Paulo, ocupa a 16ª colocação na classificação geral, o que evidencia os desafios internos e regionais enfrentados pela maior metrópole do país.

Outros municípios também aparecem nas extremidades da tabela. Entre os melhores posicionados, além de São Caetano, destacam-se Santana de Parnaíba, Ribeirão Pires, Vargem Grande Paulista e Poá. Por outro lado, o grupo que apresenta os maiores desafios para o desenvolvimento humano, além de Francisco Morato, inclui cidades como Pirapora do Bom Jesus, Juquitiba, Itapecerica da Serra e Embu das Artes.

Especialistas na área de urbanismo e políticas públicas ressaltam que os resultados obtidos pelo mapa são fundamentais para entender o peso das desigualdades estruturais. A disparidade de 16 anos na expectativa de vida entre municípios vizinhos não pode ser dissociada da qualidade do ambiente urbano, do nível de escolaridade da população, das condições de saneamento e da eficiência da rede de saúde local.

A divulgação desse estudo ocorre em um momento em que a governança metropolitana busca formas de integrar os municípios para equalizar as oportunidades de desenvolvimento. O diagnóstico apresentado serve, portanto, como uma ferramenta de controle social e planejamento estratégico, pressionando por intervenções que mitiguem as diferenças de acesso aos serviços essenciais que configuram o cotidiano de mais de 21 milhões de pessoas na região.