O Brasil deve registrar em 2026 o maior crescimento nos gastos com viagens corporativas entre os 15 principais mercados do mundo. A projeção, de 13,8%, é da Global Business Travel Association (GBTA) e coloca o país à frente de Austrália (11,5%), Coreia do Sul (11,3%), Turquia (10,9%) e Japão (10%). O mercado brasileiro deve movimentar US$ 35,8 bilhões no ano.
A liderança, porém, ocorre em um cenário no qual o dinheiro avança mais rápido que o número de viagens. A GBTA estima que os gastos globais com deslocamentos a trabalho chegarão ao recorde de US$ 1,71 trilhão em 2026, alta de 7,2%. Já o volume de viagens deve crescer apenas 1,3%, para 1,84 bilhão. A diferença evidencia o peso do encarecimento de transportes e outros custos sobre o desempenho do setor.
O relatório aponta quatro forças: crescimento econômico ainda resiliente, investimentos empresariais, incerteza geopolítica e custos elevados de deslocamento. Nos Estados Unidos, pesam os investimentos em inteligência artificial e tecnologia. No Brasil, a alta dos preços de energia é citada como fator de sustentação da atividade econômica. Na Argentina, a maior estabilidade ajuda a impulsionar a recuperação regional.
Os números também mostram uma mudança no comportamento das empresas. As viagens continuam relevantes, mas são avaliadas com mais rigor quanto ao custo, à produtividade e ao retorno. Em 2025, os gastos globais já haviam crescido 8,4%, para US$ 1,59 trilhão, acima do previsto pela entidade.
Para hotéis, companhias aéreas, agências, centros de convenções e destinos especializados no turismo de negócios, o avanço brasileiro abre espaço para receitas. Ao mesmo tempo, a expansão não deve ser lida apenas como aumento de demanda: parte importante do crescimento financeiro decorre de viagens mais caras.
A GBTA projeta que o mercado mundial ultrapassará US$ 2 trilhões até 2030. O Brasil aparece não como o maior mercado, mas como o que mais cresce entre as principais economias do setor — uma posição que amplia as oportunidades, mas também exige competitividade para transformar gasto em resultado para a cadeia do turismo.
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