A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reagiram ao novo pacote tarifário anunciado pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As duas entidades defenderam a ampliação das negociações diplomáticas para reduzir os impactos da medida, mas apresentaram avaliações distintas sobre a condução da política comercial brasileira e sobre as estratégias para enfrentar o cenário.
Em nota, a Faesp classificou como unilateral e arbitrária a decisão do governo norte-americano de impor uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre parte das exportações brasileiras. Com isso, setores que antes estavam fora da sobretaxa de 25% passam a ser tributados em 12,5%, enquanto outros produtos chegam a uma carga total de 37,5%.
A entidade afirmou que o agronegócio brasileiro opera sob padrões de conformidade e de sustentabilidade e contestou qualquer associação do setor à prática de trabalho forçado. Segundo a federação, a medida dos Estados Unidos não encontra respaldo na realidade do campo brasileiro.
A Faesp também criticou a atuação do governo federal ao longo das negociações com os norte-americanos. Na avaliação da entidade, a questão não recebeu a atenção necessária desde o início, o que teria contribuído para o agravamento do cenário. A federação afirmou ainda que a ampliação da lista de produtos poupados das tarifas foi resultado da atuação direta de representantes do setor produtivo junto a parceiros comerciais internacionais, e não de ações conduzidas pelo Executivo.
Outro ponto destacado pela entidade foi a necessidade de fortalecer a diplomacia comercial brasileira. A Faesp defendeu uma atuação mais rápida e estratégica para preservar mercados internacionais e ampliar a competitividade dos produtos nacionais. Também citou barreiras impostas por outros países, como a sobretaxa aplicada pela China à carne bovina brasileira, e afirmou que esses desafios exigem respostas diplomáticas coordenadas. Apesar das críticas, a federação avaliou que este não é o momento para a adoção da Lei de Reciprocidade Econômica.
Já a Fiesp concentrou sua manifestação nos impactos econômicos da nova política tarifária e nas perspectivas de negociação. Durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex), o presidente do colegiado, embaixador Roberto Azevêdo, apresentou um balanço das articulações realizadas em Washington e afirmou que a atuação conjunta do setor produtivo brasileiro foi determinante para ampliar a lista de produtos isentos das novas tarifas.
Segundo Azevêdo, a decisão definitiva do governo dos Estados Unidos torna mais difícil a inclusão de novos itens nas exceções, uma vez que não há mecanismos periódicos de revisão das tarifas. Ele também defendeu cautela diante de eventuais medidas de reciprocidade por parte do Brasil, argumentando que respostas de caráter simbólico podem provocar novas retaliações e ampliar os prejuízos para a economia brasileira.
O encontro contou ainda com a participação do secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores, embaixador Philip Fox-Drummond Gough, que apresentou aos integrantes do conselho a posição da diplomacia brasileira durante o processo de investigação conduzido pelos Estados Unidos.
Ao final da reunião, o Coscex avaliou que as mudanças no comércio internacional exigem uma estratégia de longo prazo para o Brasil. Entre as alternativas apontadas está a negociação de um acordo bilateral com os Estados Unidos, embora a proximidade do calendário eleitoral norte-americano seja vista como um fator que pode dificultar avanços nas tratativas no curto prazo.
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